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ENFOQUE-Setor de algodão vê espaço para recuperar área em 2021/22; vendas saltam

Nayara Figueiredo
·4 minuto de leitura
Lavoura de algodão em Roda Velha (BA)

Por Nayara Figueiredo

SÃO PAULO (Reuters) - Um forte avanço nos preços internacionais do algodão, vendas antecipadas e boas expectativas para a produtividade da cultura no Brasil dão aos produtores do setor a expectativa de que haverá espaço para avançar na área de plantio da safra 2021/22, recuperando parte do que foi perdido para a soja no ciclo atual.

Nesta temporada, a semeadura caiu cerca de 15%, com agricultores que preferiram plantar a oleaginosa em detrimento da pluma, impulsionados por remunerações mais atrativas, em um momento em que o cenário do algodão havia sido nublado pela pandemia.

Agora, as cotações da soja seguem positivas, mas a perspectiva para o algodão melhorou.

"Temos condições de aumentar a produção de algodão tomando área da soja, em função da produtividade que o algodão brasileiro está tendo", disse à Reuters o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Júlio Cézar Busato.

Segundo ele, além da possibilidade de conseguir resultados positivos na lavoura e da competitividade que o produto tem apresentado no mercado externo, os custos de produção permanecem em torno de 60 centavos de dólar por libra-peso, enquanto os preços de venda da commodity giram entre 80-83 centavos de dólar na bolsa de Nova York.

No ano passado, as cotações chegaram a ficar abaixo de 50 centavos de dólar afetadas pela pandemia da Covid-19, lembrou Busato, quando muitos agricultores ficariam no vermelho e por isso optaram pela soja.

"Infelizmente nós vendemos grande parte do algodão (2020/21) abaixo desses valores (atuais), mas isso está animando vendas para a próxima safra a bons níveis de preço", afirmou.

Ele estima que a comercialização da pluma para a temporada de 2021/22 está em 30%, em um processo mais adiantado do que em anos anteriores, quando estaria entre 15% e 20% nesta época.

SURPRESA BOA

Nesta quinta-feira, o presidente da SLC Agrícola, Aurélio Pavinato, uma das principais companhias produtoras de grãos do país, disse em teleconferência para análise de resultados trimestrais que a mudança nos preços do algodão foi uma "surpresa".

"A competitividade do algodão voltou e não imaginávamos. É uma novidade muito boa para o nosso negócio. Para nós, algodão acima de 60 centavos de dólar é bom preço, acima de 80 é excelente", disse.

O executivo explicou que o avanço nas cotações é resultado de um aperto da oferta em importantes produtores globais aliado à reação no consumo asiático, que passou a importar "como nunca" à medida que a pandemia vem sendo controlada.

"Houve ajuste no plantio do Hemifério Norte, na safra 2020/21. Essa safra, a nível mundial, acabou bem menor do que seria, em função do ajuste combinado com clima ruim nos EUA, que reduziu o potencial produtivo. Além disso, no Paquistão também teve redução expressiva", disse Pavinato.

Ele ainda acredita que os preços globais da pluma podem permanecer sustentados, pois os elevados valores da soja e milho devem fazer com que o produtor norte-americano prefira plantar estas duas commodities.

"Mesmo que o algodão esteja mais alto, ele não tem poder de comprar expansão (nos EUA)... talvez o algodão não consiga expandir sua área e isso acaba dando sustentação (de preço)."

SAFRA ATUAL

Os produtores de algodão concluíram o plantio da safra 2020/21, em parte, fora do período ideal no Brasil, em função do atraso na colheita da soja, mas ainda mantêm a expectativa de produção da pluma em torno de 2,5 milhões de toneladas, disse o presidente da Abrapa.

Busato contou que as perdas estimadas para Mato Grosso --maior produtor da pluma no país-- ainda são pequenas e o clima é favorável para os cultivos realizados na Bahia, outro importante Estado produtor.

"O recuo na produção desta safra ainda está atrelado à diminuição da área de plantio", disse. Na safra anterior, quando a área plantada foi maior, a produção da pluma chegou a 3 milhões de toneladas, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

"A semeadura fora da janela (em Mato Grosso) foi uma questão de 10 a 15 dias, então, se tivermos alguma chuva que se estenda um pouco mais, vai compensar isso também", acrescentou.

O gerente de inteligência de mercado do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Cleiton Gauer, disse à Reuters que ainda é difícil prever o tamanho das perdas que podem vir em decorrência da semeadura atrasada e das chuvas excessivas no Estado, embora tenha admitido que esta é uma safra de maior risco.

"Estamos acompanhando mês a mês e vamos ver como vão estar as chuvas lá na frente, principalmente em abril... já imaginamos uma produtividade menor nessa safra e não tivemos replantio", afirmou.