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Energia solar gerará benefício de R$ 13,3 bilhões até 2035, diz setor

Rodrigo Polito

Abesolar tenta rebater cálculos feitos pelas áreas técnicas do governo que apontaram um custo de R$ 56 bilhões com o subsídio para a fonte no mesmo período A manutenção das regras vigentes para o uso da geração distribuída de energia solar pode acrescentar R$ 13,3 bilhões em benefícios líquidos para todos os consumidores do setor elétrico brasileiro até 2035.

A projeção é da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) e inclui no cálculo os ganhos pela energia evitada, diminuição de perdas de transmissão e distribuição e redução de contratação de novas usinas de geração centralizada.

De acordo com a entidade, o levantamento foi feito com base em dados oficiais de órgãos do governo. O objetivo da associação é rebater cálculos feitos pelas áreas técnicas do Ministério da Economia e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que indicam o aumento do subsídio para o consumidor brasileiro, com a intensificação do uso de sistemas de geração de energia solar, na regra atual.

Um estudo do Ministério da Economia concluiu que se as regras forem mantidas, o custo com o subsídio alcançará R$ 56 bilhões, entre 2020 e 2035. Em valor presente, isso seria equivalente a R$ 34 bilhões, de acordo com o cálculo da pasta.

A diferença entre os estudos é que o material da Absolar incorpora outros atributos não considerados pela Aneel e o Ministério da Economia. A associação explica que o seu cálculo foi feito a partir dos dados de investimentos realizados na área desde 2012, levando em consideração os incrementos de arrecadação dos governos federal, estaduais e municipais decorrentes desses aportes e a geração de novos empregos e renda no país com os negócios e projetos desenvolvidos no período.

Na prática, a entidade conclui que, para cada R$ 1 investido em sistemas fotovoltaicos de pequeno e médio portes, o setor devolve mais de R$ 3 em ganhos elétricos, econômicos, sociais e ambientais.

De acordo com a Absolar, desde 2012, os consumidores brasileiros já investiram mais de R$ 8,4 bilhões em sistemas de geração distribuída solar fotovoltaica. Esses investimentos, explicou a entidade, proporcionaram um acréscimo de potência ao sistema de 1,9 gigawatt (GW), espalhado em mais de 70% dos municípios do país.

A associação destaca ainda que, em 2019, o segmento criou 92 postos de trabalho por dia no Brasil. “No acumulado já são mais de 100 mil empregos”, acrescentou a instituição, em nota.

“Importante destacar que o dinheiro economizado na conta de luz do consumidor de energia solar é reinjetado na economia e ajuda a movimentar os setores de comércio e serviços, aquecendo a atividade econômica local”, afirmou o presidente do conselho de administração da Absolar, Ronaldo Koloszuk, em nota.

“Surpreendente que o Ministério da Economia não tenha feito uma conta sequer sobre estes e outros benefícios para a economia do nosso país”, completou.