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Energia deve voltar a pressionar inflação em novembro, indica IBGE

Gabriel Vasconcelos

Item ajudou a segurar a alta do IPCA em outubro O preço da conta de luz, que caiu 3,22% em outubro e ajudou a segurar a inflação do mês, será um fator de pressão sobre o índice de novembro, adianta o gerente da pesquisa do IPCA, Pedro Kislanov.

Isso vai acontecer porque, em novembro, essa tarifa deixou a bandeira amarela, que incidiu sobre os preços de outubro, e voltou à bandeira vermelha 1. Essa também foi a bandeira incidente nos meses de julho e agosto, quando os preços registraram as maiores altas do ano, de respectivamente, 4,48% e 3,85%.

Colin Behrens/Pixabay

Além da mudança de bandeira, houve reajuste dos preços dentro de cada bandeira, o que impactará ainda mais a inflação. A bandeira vermelha 1, informou Kislanov, acrescentará R$ 4,169 a cada quilowatt-hora consumido em vez do adicional válido até então, de R$ 4 por Kwh. O preço da bandeira amarela caiu de R$ 1,50 para R$ 1,34 a cada kwh, enquanto o da bandeira vermelha 2 subiu de R$ 6,00 para R$ 6,24.

Segundo o representante do IBGE, essas mudanças terão algum impacto sobre a inflação da tarifa daqui para frente. “A bandeira deve ser a única influência sobre o preço da energia elétrica até o final do ano, visto que já houve os reajustes previstos”, afirmou.

O gerente do IPCA observou, também, que o índice de novembro será influenciado pela alta no preço do óleo diesel nas refinarias, reajustado em 3% em 1º de novembro, e a redução na tarifa do gás encanado no Rio de Janeiro (-0,60%), que também entrou em vigor no primeiro dia de novembro.

Em outubro, além do aumento no preço da gasolina (+1,28%), a inflação foi pressionada pelo avanço de 1,77% no preço das carnes, o produto alimentício que mais encareceu no mês. O impacto das carnes no IPCA foi de 0,05 ponto percentual.

O IPCA também foi puxado pela alta nos preços dos planos de saúde (0,59%), itens de higiene pessoal (0,94%) e etanol (1,94%), destacou o IBGE. Todos os tipos de combustível ficaram mais caros em outubro.

Kislanov afirmou que a alta no preço das carnes se deve ao aumento das exportações brasileiras, que tem pressionado o mercado interno. “A explicação é que aumentou muito a demanda no exterior, o que restringiu a oferta doméstica e fez com que o preço da carne subisse internamente”, disse.

Entre os itens que mais seguraram o avanço da inflação, além da tarifa de energia elétrica residencial (-3,22%), foram o leite longa vida (-1,55%) e “tubérculos, raízes e legumes” que, em conjunto, viram os preços despencarem 8,67%. Nesse grupo alimentício, os destaques foram cebola (-20,84%), cenoura (-9,27%) e batata-inglesa (-9,06%).