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Energia começa a voltar aos poucos no Amapá, com rodízios de 6 horas

ISABELA PALHARES E DIEGO GARCIA
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SÃO PAULO, SP, E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Relatos apontam que alguns bairros da capital, Macapá, começaram a registrar um retorno gradual da energia. A situação, porém, não se reflete em toda a cidade. Segundo moradores ouvidos pela reportagem, alguns locais continuavam sem luz na manhã deste sábado (7). O estado está sem energia elétrica desde terça (3) à noite, após incêndio em subestação de distribuição de energia elétrica. A queda do fornecimento de energia atingiu 14 dos 16 municípios do estado, onde vivem 782 mil pessoas --cerca de 90% da população estadual. Apenas Oiapoque, no norte, e Laranjal do Jari, no extremo sul, não sofreram com a falta de eletricidade. O governo do Amapá informou em suas páginas nas redes sociais que o fornecimento está sendo parcialmente restabelecido desde a madurgada de sábado, mas que será necessário fazer racionamento nos próximos dias. "Ao longo do dia, a CEA [Companhia de Energia do Amapá] está testando adequações e ajustes no sistema. O rodízio será em turnos de seis horas", diz o comunicado. A população relata que ainda há insegurança sobre novos desabastecimentos nos próximos dias. Na casa do enfermeiro Vencelau Pantoja, de 47 anos, a luz voltou por volta das 9h30 de sábado. Ele mora no bairro Renascer, na zona norte da capital. "Fiquei aliviado, mas a gente não sabe se estabilizou. Sem luz, a gente não não consegue se informar com segurança." Mesmo com o retorno da energia em sua casa, Pantoja foi a comércios da cidade na manhã deste sábado para tentar comprar velas. "Nunca imaginei viver isso na minha vida. Não se encontra nem vela para comprar. Supermercados e padarias que ainda têm alimentos pra vender têm fila de mais de uma hora." Na casa de Clodoaldo Côrtes, 48, no Jardim Marco Zero, a energia ainda não tinha sido restabelecida na manhã deste sábado. "Passei mais de uma hora na fila para comprar água para a minha família." Na madrugada de sábado, ele também esperou 25 minutos para conseguir abastecer seu carro, já que desde terça-feira os postos de gasolina tinham filas de espera. "Estamos vivendo o caos. É fila para conseguir qualquer coisa, água, gelo, comida, combustível. As pessoas estão perdendo a paciência e começando a brigar." Sem água e com o forte calor da cidade, as famílias mais pobres têm recorrido à água sem tratamento de córregos e do rio Amazonas para se higienizar e cozinhar. "O mais grave é que essa situação de caos está ocorrendo em meio a uma pandemia, justamente no momento em que voltamos a ter aumento de casos. As pessoas estão se aglomerando em filas, na beira do rio pra se refrescar. O reflexo dessa situação vamos ver lá na frente", disse Pantoja, que trabalha na vigilância sanitária do município. Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), o sistema elétrico de Macapá voltou a ser conectado à rede de transmissão e os reparos em um dos transformadores foram concluídos, o que levou ao início gradativo do atendimento aos consumidores durante a madrugada.