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Enem Digital: estamos preparados para um processo seletivo online?

Lucas Gomes Silveira
·5 minutos de leitura

Em julho do ano passado, o Ministério da Educação anunciou que, a partir de 2020, o Enem teria uma nova forma de aplicação: o Enem Digital. A aplicação da primeira versão foi adiada para 2021, devido à pandemia da COVID-19, doença causada pelo novo coronavírus, mas o projeto continua a todo vapor.

A ideia é que, inicialmente, a prova seria aplicada em alguns polos de forma experimental com até 101.100 participantes. Assim, ano após ano, ele aumentaria de tamanho, chegando a todos os estudantes em 2026 e substituindo de vez a prova no papel.

Vale lembrar que, mesmo sendo digital, o Enem é aplicado de maneira presencial, em um local com a infraestrutura adequada, sem acesso à internet ou a celular durante a realização da prova. Mas isso acaba suscitando uma questão: será que já estamos prontos para a aplicação dele nesse modelo atual? Ou até de uma prova em formato completamente online? Isso que eu pretendo discutir ao longo deste artigo.

Antes, vamos recapitular um pouco a história do Enem

O Enem surge em 1998 com o intuito de ser uma grande prova para avaliar todo o ensino médio brasileiro e, assim, avaliar a situação da educação, podendo criar políticas públicas necessárias para a melhorá-la. Já em sua segunda edição, para estimular a aderência dos estudantes ao exame, ele passou a ser utilizado em 93 instituições de ensino. Entre 1998 e 2008, o modelo da prova era composto por 63 questões de múltipla escolha, aplicadas em um dia de prova.

Em 2009, o exame foi completamente reformulado e se transformou em porta de acesso para as universidades federais do Brasil através do Sistema de Seleção Único, o Sisu. Além disso, foi implementado o sistema da Teoria de Resposta ao Item (TRI), que permite que notas de edições anteriores sejam utilizadas para ingresso em instituições.

O Enem também era porta de entrada para instituições privadas através do Prouni e obtenção de financiamento com o Fies. Assim, mais de 20 anos após a sua criação, o Enem passa pela sua terceira mudança ao se tornar digital. A princípio, quais as barreiras para a criação do modelo totalmente remoto?

As barreiras para o Enem Digital Remoto

Durante o Quero Captação 4.5, Anderson Correia, Reitor do ITA, disse que não se opõe a um vestibular online, mas tem algumas ressalvas já que o processo seletivo para a faculdade é superconcorrido e teria problemas quanto a fraudes em um sistema completamente on-line.

Outro fator levantado para a discussão quanto a discussão do Enem Digital é que, hoje em dia, uma parcela relevante da sociedade não tem acesso à internet e/ou a dispositivos computadores/smartphones.

Segundo levantamento que o Quero Bolsa fez, utilizando os microdados do Enem de 2018, um terço dos estudantes (33,5%) não tem possibilidade de realização da prova EaD. Isso significa que eles não têm acesso à internet e não possuem um computador e/ou smartphone para o acesso ao conteúdo.

Em alguns estados, essa taxa ultrapassa os 70%.

Além de impossibilitar o exame remoto, a falta de acesso à Internet acaba prejudicando, também, o desempenho desses estudantes nesse exame. Por isso, o ideal é que esses conteúdos sejam, de alguma forma, distribuídos sem cobrar o pacote de dados, já que boa parte dos estudantes tem acesso à internet. Movimentos como o Internet pela Educação lutam para isso.

Isso é empecilho para o Enem Digital no modelo atual?

Mas essas barreiras ainda atrapalham o Enem Digital no modelo atual? Não necessariamente. Quanto ao problema de fraudes acontecer dentro da plataforma, vale lembrar que o sistema de correção TRI permite que os alunos realizem provas diferentes e exames mais adaptativos, o que torna a aferição de resultado mais assertiva. As fraudes no sistema digital também podem ser coibidas com monitores presenciais, como, por exemplo, no voto nas eleições. Há décadas que ele é digital e não existem fraudes comprovadas.

Quanto à parte do acesso, vale lembrar que o Enem Digital como apresentado é realizado presencialmente (o que garante também que as mesmas medidas de segurança que são implementadas na prova realizada no papel). Assim, tanto pessoas com as ferramentas em casa quanto as que não tem podem realizá-lo da mesma forma.

Isso acaba, inclusive, aumentando as possibilidades de acesso de todos. A logística para a realização de uma prova digital é muito mais barata e demanda menos trabalho, sendo necessário apenas a presença de equipamentos de informática, uma equipe de monitoria e validação de identidade no local de aplicação.

Ainda, o aluno tem à sua disposição uma prova agendada com mais opções de locais de aplicação. As costumeiras cenas de “atrasados do Enem” deixarão de acontecer.

O processo se torna mais prático e eficiente. A necessidade de uma extrema segurança no transporte de grandes quantidades de papel (contendo os gabaritos das provas) não se torna necessário e a preocupação que eles sejam danificados no caminho deixa de existir.

Além disso, os centros de aplicação de teste podem ser escolas da rede pública de ensino. Isso traria melhor infraestrutura informática no local, melhorando a qualidade de ensino.

E, no fim, a correção vai ser bem mais rápida (podendo, em alguns casos, demorar poucos dias para acontecer), fazendo com que o processo de seleção via Sisu, ProUni e a liberação dos financiamentos do Fies seja bem mais fácil de acontecer.

Em um futuro, o processo pode se tornar ‘On Demand’

Como o TRI possibilita que diversas provas tenham o mesmo grau de dificuldade, a expectativa é que, em um futuro próximo, seja possível a realização de um Enem ‘On Demand’. Ou seja, o estudante poderia, no momento do ano que desejar, realizar a prova do conforto do lar ou, dependendo, existirem diversas aplicações da prova ao longo do ano.

Dessa maneira, com custos mais reduzidos, seria possível aumentar os locais de prova, mantendo a qualidade do exame e a lisura no processo de correção. Isso tornaria a prova cada vez mais inclusiva.

Fonte: Canaltech

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