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Endividamento das famílias em período de crescimento agrava crise no futuro, diz BC

·4 minuto de leitura
**ARQUIVO** BRASÍLIA, DF, 02-09-2020: Pessoas em fila no Banco Central em Brasília. (Foto Pedro Ladeira/Folhapress)
**ARQUIVO** BRASÍLIA, DF, 02-09-2020: Pessoas em fila no Banco Central em Brasília. (Foto Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O comprometimento expressivo da renda das famílias com empréstimos em períodos de crescimento econômico tende a ser seguido por crises mais fortes. A avaliação foi publicada em estudo do BC (Banco Central) publicado nesta terça-feira (1º).

A pesquisa mostrou que aqueles que se endividaram mais em momentos de maior oferta de crédito, quando a atividade estava em alta, reduziram mais o consumo nos anos seguintes para pagar as parcelas.

A avaliação é que, no Brasil, a economia vive ciclos alternados de crescimento e recessão.

"O fato de esses movimentos individuais atuarem no sentido de aprofundar a fase ruim do ciclo econômico aponta para a relevância desse mecanismo para a política econômica no que tange à regulação do crédito", concluiu o levantamento.

Mesmo em meio à crise gerada pela pandemia de Covid-19, o comprometimento de renda das famílias aumentou de forma expressiva com a larga oferta de crédito no período. Segundo dados do BC, divulgados na última sexta-feira (28), o endividamento das famílias alcançou 57,1% em fevereiro, mesmo percentual registrado em janeiro. Ambos são o maior da série histórica, iniciada 2005.

Na comparação com fevereiro do ano passado, o nível de endividamento aumentou 8,6 pontos percenuais.

O número considera o estoque dos financiamentos da família com relação à sua renda em 12 meses. O indicador passou de 50% pela primeira vez em outubro do ano passado.

Com isso, 30,7% da renda mensal do brasileiro ficou comprometida com parcelas de empréstimos em fevereiro.

Na análise divulgada nesta terça, o BC comparou o padrão de consumo durante a expansão do crédito entre 2011 e 2014 com o movimento na recessão de 2015 e 2016.

"A primeira conclusão do estudo é que há uma correlação clara e negativa entre o aumento do endividamento entre 2011 e 2014 e a variação de consumo, medido pelas compras em cartão de crédito da mesma pessoa, nos anos de recessão, 2015 e 2016", disse o documento.

Segundo o estudo, os bancos públicos tiveram maior participação no período de crescimento da oferta de crédito e, por isso, os servidores públicos foram mais expostos ao endividamento, especialmente no consignado, em que as parcelas são descontadas diretamente na folha de pagamento. Como consequência, o grupo reduziu mais o consumo na crise em relação aos trabalhadores do setor privado.

"Comparando os empregados públicos, que estiveram mais expostos a essa fonte de crédito, com os do setor privado (menos expostos), isola-se o aumento na razão dívida-renda causada pelo choque de expansão de oferta de crédito e mostra-se que ele resultou em uma redução relativa de consumo", afirmou o texto.

"Ficou demonstrado que o episódio de expansão-recessão sob análise teve a participação central dos bancos públicos. As modalidades de crédito preferidas foram as de menor risco, dada a presença de colateral, em particular o crédito consignado para servidores públicos, atingindo principalmente os situados na porção mais baixa da distribuição de renda dentro desse grupo", pontuou.

De acordo com a pesquisa, aqueles que tomaram menos empréstimos entre 2011 e 2014 tiveram redução 9,5 ponto percentual menor em gastos no cartão de crédito entre 2014 e 2015 em relação aos que se endividaram mais.

O texto ressaltou, no entanto, que a pesquisa tem limitações. "Há dificuldades de determinação da relação de causa e consequência, já que outras variáveis, que não aparecem nos bancos de dados, poderiam estar levando a uma queda mais forte no consumo em 2015 e 2016 justamente para os indivíduos que apresentaram maior aumento do endividamento no período de 2011 a 2014, sem que houvesse relação causal entre esses fatos", ponderou.

"O ideal seria poder criar dois grupos de tomadores em um ambiente experimental, fornecendo maior oferta de crédito a um deles e a outro não, para observar as consequências disso de forma aleatorizada. Infelizmente, a realização de um experimento desse tipo não seria teria sido viável", continuou.

O estudo apontou que houve aumento de crédito para as famílias desde o início da base de dados do BC, em 2003, até a crise de 2015. "Entretanto, as séries do crédito fornecido por instituições privadas e públicas divergiram a partir de 2011, com as públicas mantendo o ritmo de crescimento enquanto as privadas apresentaram estabilidade ou redução de crédito."

O levantamento faz parte do Relatório de Economia Bancária, que será divulgado integralmente na próxima segunda-feira (7).

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