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Endividamento das famílias em dezembro é o maior desde 2010, aponta CNC

Arícia Martins

Percentual atingiu 65,6%; cartão de crédito segue como principal tipo de dívida O percentual de famílias brasileiras com algum tipo de dívida aumentou de 65,1% em novembro para 65,6% em dezembro de 2019, maior nível desde janeiro de 2010. Os dados fazem parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta quinta-feira pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O total de consumidores endividados também subiu em relação a dezembro de 2018, quando estava em 59,8%.

O cartão de crédito segue como principal tipo de dívida contraída pelas famílias, usado por 79,8% dos consumidores endividados. Em seguida, aparecem carnês (15,6%), financiamento de carro (9,9%), financiamento de casa (8,9%), crédito pessoal (7,8%), cheque especial (6,7%) e crédito consignado (5,5%). “Outras dívidas” foram apontadas por 2,3% dos endividados.

As famílias que ganham até dez salários mínimos puxaram a alta do endividamento. Nesse grupo, a parcela de endividados atingiu 66,6% em dezembro, ante 65,9% um mês antes.

No conjunto de famílias com renda acima de dez mínimos, o percentual de consumidores com dívidas recuou no período, de 61,6% para 61,4%.

Também houve redução no contingente total de famílias com contas ou dívidas em atraso, que diminuiu de 24,7% para 24,5% na passagem mensal. Aqueles que declararam não ter condições de pagar seus débitos atrasados caiu 0,2 ponto em igual comparação, para 10%.

Em média, o prazo das dívidas é de 6,9 meses. Entre as famílias endividadas, 25,7% estão comprometidas até três meses, e 31,8%, por mais de um ano.

A parcela média do orçamento comprometida com empréstimos e/ou compras parceladas ficou em 29,7% em dezembro, recuo de 0,2 ponto sobre a medição anterior e menor patamar desde junho. “As parcelas estão menores, e as famílias têm conseguido se organizar para acomodar os pagamentos dentro do orçamento mensal”, afirmou Marianne Hanson, economista responsável pela Peic.

Para 14,5% das famílias endividadas, o nível de comprometimento com esses dispêndios é elevado, 0,1 ponto acima do percentual verificado em novembro. Na comparação com dezembro, houve alta de 2,1 pontos na parcela de consumidores que se declaram muito endividados.

A CNC destaca que o percentual de famílias com dívidas subiu em 11 dos 12 meses de 2019. Na avaliação da entidade, a tendência é explicada pela recuperação do crédito, devido a fatores como a melhora do mercado de trabalho e a redução das taxas de juros para níveis históricos mínimos, o que reduziu o custo de financiamentos e empréstimos.

Para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, os dados de dezembro “ligam um sinal de alerta”, mas não podem ser considerados negativos, uma vez que o avanço no endividamento não foi acompanhado por aumento significativo da inadimplência.