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Encontro de Lula e João Campos reforça tendência de aliança entre PT e PSB para 2022

·5 min de leitura
*ARQUIVO* SÃO BERNARDO DO CAMPO, SP, 10.03.2021 - O ex-presidente Lula durante coletiva no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, dois dias depois de o ministro Edson Facchin anular suas condenações no âmbito da Lava Jato; Lula fica livre para disputar eleições. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO BERNARDO DO CAMPO, SP, 10.03.2021 - O ex-presidente Lula durante coletiva no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, dois dias depois de o ministro Edson Facchin anular suas condenações no âmbito da Lava Jato; Lula fica livre para disputar eleições. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

RECIFE, PE (FOLHAPRESS) - Um encontro entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o prefeito do Recife, João Campos, no início de outubro, em São Paulo, reforçou o movimento de aproximação do PT com o PSB para as eleições de 2022.

A reunião foi divulgada por João Campos (PSB) em rede social na noite deste domingo (24), cerca de três semanas após a conversa frente a frente com Lula (PT).

"Conversei em São Paulo com o ex-presidente Lula sobre como as forças democráticas podem atuar para derrotar Bolsonaro, nas eleições do ano que vem. Defendi novamente a composição de uma frente ampla, que apresente um projeto com ideias bem estruturadas para o país", afirmou o prefeito do Recife.

"O importante, na fase atual, é pensar caminhos para a educação, construir alternativas para o desenvolvimento regional, maneiras de combater a desigualdade, sobretudo como ampliar a geração de oportunidades para o nosso povo. Alianças eleitorais devem ser discutidas só em 2022", acrescentou.

Apesar do discurso oficial falar em firmar alianças apenas no próximo ano, as tratativas entre PT e PSB avançam nos bastidores sobre uma coligação em torno da candidatura de Lula à Presidência da República.

Os movimentos de reaproximação tiveram início em março, após decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) que anularam condenações de Lula no âmbito da Operação Lava Jato e, por consequência, retomaram a elegibilidade do petista.

Nesse período, o prefeito do Recife era visto por setores petistas como um impasse para a aliança entre PT e PSB. No entanto, aliados de João Campos refutam essa hipótese e agora defendem a união de forças políticas para vencer Jair Bolsonaro em 2022.

"João Campos nunca colocou qualquer obstáculo, pelo menos nas conversas comigo, a alianças com o PT e com o ex-presidente Lula. Ele foi e permanece cauteloso porque entende que tem um processo a ser construído que envolve questões que vão além da questão eleitoral, como questões programáticas que considera relevantes", disse o deputado federal Milton Coelho (PSB-PE), próximo do prefeito do Recife.

O encontro de João Campos com Lula marca a entrada dele como interlocutor do petista no PSB. Até então, a função era desempenhada pelo governador de Pernambuco, Paulo Câmara.

Lula e João Campos já tinham se encontrado em agosto no Recife durante um jantar promovido por Paulo Câmara para receber o ex-presidente, que estava em viagem ao Nordeste.

No encontro a sós em São Paulo, João Campos não colocou empecilhos para uma possível aliança entre os dois partidos. O prefeito do Recife externou preocupação com os rumos do país sob Bolsonaro e defendeu que candidatos à Presidência façam discussões e apresentem propostas sobre educação e combate à desigualdade.

Já o ex-presidente Lula relembrou a relação que tem com o PSB desde a época dos ex-governadores de Pernambuco Miguel Arraes e Eduardo Campos, respectivamente, bisavô e pai de João Campos.

As movimentações de João Campos em direção a Lula causaram incômodo no PDT de Pernambuco. Ainda na noite do domingo, grupos do partido reagiram internamente de forma negativa.

Em 2020, os pedetistas barraram a pré-candidatura do deputado federal Túlio Gadêlha à Prefeitura do Recife para fechar aliança com João Campos. O PDT indicou Isabella de Roldão como candidata a vice na chapa do PSB. Em troca, esperava apoio dos socialistas a Ciro Gomes na disputa presidencial de 2022.

Enquanto isso, a direção nacional do PT determinou a candidatura da deputada federal Marília Arraes, prima de João, à prefeitura. A postulação foi imposta pela cúpula nacional da sigla, porque, no Recife, a definição dos petistas era pela aliança com Campos.

João Campos e Marília Arraes disputaram o segundo turno no Recife na mais acirrada campanha eleitoral da cidade em 20 anos. Largando atrás nas pesquisas de intenção de voto, o então candidato do PSB usou o antipetismo como estratégia e venceu a disputa na capital pernambucana.

Em um dos debates, o hoje prefeito disse que o PT "faz campanha [eleitoral] suja e desleal", citando os ataques petistas a Eduardo Campos e Marina Silva na disputa presidencial de 2014.

Quando questionado por Marília Arraes sobre suspeitas de corrupção nas gestões do PSB no Recife, João Campos rebateu falando que "causa estranheza uma candidata do PT falando de corrupção".

Nas inserções eleitorais na televisão, o PSB atacou a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e os ex-ministros Aloizio Mercadante e Gleisi Hoffmann. O guia eleitoral de João Campos disse que "eles estavam de malas prontas" para desembarcar no Recife.

Nos bastidores, integrantes dos dois partidos dizem que a eleição de 2020 no Recife está superada. Alegam que um pleito municipal em uma cidade não pode travar as articulações nacionais.

Marília Arraes segue na oposição ao PSB em Pernambuco. A deputada federal, no entanto, defende que seja feita a articulação mais benéfica para Lula.

A construção nacional de pontes entre PT e PSB deve ter implicação eleitoral no xadrez eleitoral dos estados.

Em reunião com Lula no início do mês, dirigentes do PSB disseram que desejam apoio dos petistas nas disputas para os governos de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Pernambuco. Em troca, o PSB daria apoio ao projeto nacional de Lula.

Os pré-candidatos do PSB a esses governos estaduais são o ex-governador Márcio França (SP), o deputado federal Marcelo Freixo (RJ), o ex-deputado Beto Albuquerque (RS) e o ex-prefeito do Recife Geraldo Julio (PE).

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