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Encontradas rochas brilhantes que podem explicar origem do asteroide Ryugu

Daniele Cavalcante
·3 minutos de leitura

Uma equipe de cientistas encontrou um tipo de pedra inesperada no Ryugu, asteroide investigado pela missão Hayabusa2 desde 2018, ano em que a sonda japonesa chegou por lá e começou a mapeá-lo. É que o Ryugu é formado principalmente por material escuro (ou seja, pouco reflexivo), mas foram encontradas algumas pedras muito mais brilhantes.

Ryugu é um asteroide com características bem marcantes. Em primeiro lugar, ele é formado por uma pilha de pedras que provavelmente são pedaços de outros asteroides destroçados há muito tempo. Esses entulhos acabaram se unindo pela força gravitacional e formaram uma única rocha. Há outras que tiveram origem semelhante, como o Bennu, atualmente investigado pela missão OSIRIS-REx, da NASA.

As setas apontam para as rochas que são nitidamente mais reflexivas que as demais (Imagem: Reprodução/Tatsumi)
As setas apontam para as rochas que são nitidamente mais reflexivas que as demais (Imagem: Reprodução/Tatsumi)

Em segundo lugar, o Ryugu é um carbonáceo (tipo C). Isso significa que ele é composto principalmente por rochas que contém muito carbono e água. Esse tipo de asteroide é o mais comum no cinturão principal externo, indicando que os asteroides “pais” do Ryugu (aqueles que foram destroçados e seus pedaços se juntaram para formar um novo objeto) viviam por lá.

Acontece que os cientistas encontraram por lá várias pedras bem diferentes das demais. Elas refletem pelo menos 50% mais luz do que o restante do material que compõe o Ryugu, além de serem feitas de silicatos anidros — anidro é um termo geralmente utilizado para nomear uma substância que não contém, ou quase não contém, água na sua composição.

Isso traz implicações interessantes: se rochas de silicatos anidros estão presentes em um asteroide carbonáceo, rico em água, significa que os componentes do Ryugu podem ter vindo de diferentes regiões do Sistema Solar. Por exemplo, alguns estudos apontam que asteroides silicáceos (tipo S) são os mais comuns no cinturão principal interno, ao invés de externo. Pode ser que as pedras brilhantes do Ryugu tenham, de alguma forma, migrado dessa região e se encontraram com a pilha de destroços do tipo C enquanto o Ryugu estava se formando. Ou talvez o Ryugu seja resultado de uma colisão entre asteroides dos dois tipos.

Ainda é muito cedo para saber qual é a história por trás dessa diversidade de rochas no Ryugu, mas talvez não tenhamos que esperar muito tempo para saber mais. A missão japonesa deve trazer amostras do asteroide em breve: a Hayabusa2 está prevista para chegar de volta à Terra no final deste ano, permitindo então análises bem mais detalhadas para tentar responder os mistérios acerca da origem desse objeto. Isso será de grande importância, pois o asteroide carrega em si as marcas dos primeiros dias do Sistema Solar.

Fonte: Canaltech

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