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Encher o tanque do carro com gasolina ficou R$ 91 mais caro em 1 ano

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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 10.03.2022 - Fila em posto de combustíveis no Eixo W, na Asa Norte, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 10.03.2022 - Fila em posto de combustíveis no Eixo W, na Asa Norte, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Em meio à disparada nos preços dos combustíveis, motoristas estão gastando atualmente, em média, R$ 363,50 para encher o tanque do carro com gasolina comum no Brasil. O valor é 33,4% maior do que o registrado há um ano, em abril de 2021, quando eram necessários R$ 272,50 — ou R$ 91 a menos — para reabastecer o mesmo veículo.

Se considerados os valores apenas deste ano, encher o tanque do carro ficou R$ 31,50 mais caro: em janeiro, era preciso gastar R$ 332. Em abril, apenas três meses depois, a conta subiu 9,5%.

O cálculo feito pelo UOL leva em consideração o tanque de um carro de passeio com capacidade para 50 litros e a média de preços mensais do Brasil levantados pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

Há um ano, em abril de 2021, o litro da gasolina comum valia R$ 5,45, em média. Em janeiro deste ano, saltou para R$ 6,64.

Já na semana passada, custava R$ 7,27 — um aumento de 33,4% em um ano, quase três vezes acima da prévia da inflação acumulada no período (12,03%).

Hoje, segundo a última pesquisa da ANP, a gasolina mais cara é encontrada na cidade de São Paulo, onde o litro chega a custar R$ 8,60. Ou seja: para encher um tanque de 50 litros, o motorista paulistano pode ter que desembolsar até R$ 430, valor 18,3% maior que a média nacional (R$ 363,50).

Por que está tão caro?

Especialistas apontam diferentes razões para o preço alto da gasolina. Mais recentemente, a instabilidade causada pela guerra entre Rússia e Ucrânia, que fez disparar os preços do petróleo no exterior, é o que tem contribuído para esse aumento.

A política de preços adotada pela Petrobras é influenciada diretamente pela cotação do petróleo no exterior e a do dólar no Brasil, o que causa reajustes frequentes nos combustíveis. Em 10 de março, a empresa anunciou um aumento de 18,77% no preço da gasolina nas distribuidoras — alta que também já está sendo repassada, em menor ou maior grau, aos consumidores.

Além disso, a gasolina vendida nos postos tem em sua composição 27% de etanol, que também registrou forte aumento nos preços. Em abril de 2021, o litro do combustível custava, em média, R$ 3,83, de acordo com a ANP. Na última semana, chegou a R$ 5,50 —alta de 43,6% em um ano.

O aumento chegou a impactar em postos de países vizinhos: brasileiros passaram a fazer filas para abastecer na Argentina, enfrentando filas de até quatro horas.

Governo e Petrobras

Os reajustes nos preços dos combustíveis são alvos constantes de críticas do presidente Jair Bolsonaro (PL) à Petrobras.

Em abril de 2019, Bolsonaro pressionou a empresa para que cancelasse um aumento de 5,7% no diesel nas refinarias — um aceno aos caminhoneiros, parte importante de sua base de apoio. Ele negou, porém, que tivesse interferido na Petrobras. No mesmo dia, as ações da empresa na Bolsa de Valores brasileira, a B3, despencaram mais de 8%.

Em fevereiro de 2021, Bolsonaro anunciou que não renovaria o mandato do então presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, por estar insatisfeito com a política de preços da empresa. Seu substituto, Joaquim Silva e Luna, também foi demitido pouco mais de um ano depois, em março de 2022, pelo mesmo motivo. O general foi sucedido por José Mauro Coelho, que tomou posse no último dia 14.

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