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Realidade aumentada: startups nacionais apostam em crescimento da tecnologia

Foto: Getty Images

Por Matheus Mans

Com o sucesso do jogo Pokémon Go em 2016, muitas pessoas começaram a falar sobre realidade aumentada (AR). Anteriormente apenas sombra da realidade virtual, a tecnologia coloca uma camada de elementos digitais no mundo real. Mas como estão as empresas que focam na inovação aqui no Brasil?

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“É uma tecnologia que tinha tudo para decolar e já estar na vida das pessoas. Só que, por enquanto, os principais casos estão apenas na indústria, bem longe do consumidor”, disse Arthur Gorja, especialista em realidade virtual e aumentada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). “Com as novas ferramentas de AR do Facebook, a tecnologia vai ganhar força e passará a integrar a vida das pessoas.”

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Um exemplo que chama atenção é da startup gaúcha Criativando. A empresa desenvolveu um papel de parede com realidade aumentada. Para funcionar, o cliente precisa apenas apontar a câmera do celular para a parede que tenha o produto instalado. Um aplicativo cria histórias e jogos educativos para crianças, inspirados nos próprios desenhos espalhados por todo o papel de parede.

A empresa já está presente em grande parte do sul do Brasil e começa a organizar sua expansão nacional por meio de franquias — a ideia é ter 50 delas pelo país até 2020.

“Também temos projetos especiais, como empresas que colocam o papel de parede em suas lojas para que o cliente, de maneira imersiva, possa saber mais sobre a história da companhia, da fabricação do produto e até fazer promoções”, disse Jonathan Tebaldi, CEO da Criativando.

Outra startup que tem se destacado é a GoEpik, que atua no mercado mais atraente para a realidade aumentada: a indústria. Para isso, a empresa dá suporte tecnológico para que as grandes corporações adotem inovações, como coleta e avaliação inteligente de dados, criação de fluxos digitais e AR. Dentre as principais inovações, está o uso da realidade aumentada para configurar máquinas, deixando todo o processo mais simples e seguro.

“Os cases com realidade aumentada no Brasil são cada vez mais frequentes, a demanda vem aumentando a cada ano”, contextualiza Wellington Moscon, CEO da GoEpik. “Hoje, a maior dificuldade está relacionada ao custo de aquisição de hardware de ponta e mapeamento do espaço físico em tempo real. O hardware utilizado está em constante evolução e acredito que em até dois anos nós teremos o uso exponencial da tecnologia”.

Varejo

Alguns casos no varejo também começam a aparecer com mais força. A Renner, por exemplo, lançou uma coleção de camisetas infantis que interagem com ícones virtuais num sistema de realidade aumentada. Basta apontar o smartphone para a roupa e ver a mágica acontecer. É como se dinossauros e um ouriço estivessem ali, na vida real, interagindo com os pequenos.

Já o Burger King apostou em um game de realidade aumentada que acompanhou o kit infantil com temática de emojis. Num deles, chamado de Poop Invader, a pessoa aponta o celular para um card e passa a ter a missão de defender a Terra de “cocôs voadores”.

“Com o avanço tecnológico, todos já nascem conectados. Por isso, além dos brindes, buscamos nos apropriar de uma tendência que são os jogos de realidade aumentada”, comenta Ariel Grunkraut, diretor de marketing do Burger King Brasil

Para Marco Paulo De Paoli Morato, professor de realidade virtual e realidade aumentada do Instituto de Gestão e Tecnologia da Informação (IGTI), todo esse cenário é positivo para a tecnologia no futuro — que pode ter receita global de US$ 75 bilhões em 2023. “Há uma imensa gama de usos. Pode ser implementada em diversas áreas e qualquer pessoa, com um smartphone, pode consumir esse tipo de conteúdo”.