Mercado fechado

Empresas fecham portas, cortam salários e adiam IPOs com crise

André Romani e Leonardo Lara

Empresas brasileiras estão adotando medidas drásticas em meio à crise do coronavírus. Fechamentos de lojas, férias coletivas e interrupção de operações prenunciam a desaceleração econômica que já leva grandes bancos a projetarem uma recessão neste ano. A onda de IPOs esperada também já foi abatida.

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Confira como as principais empresas e setores do país estão sendo afetados pelo coronavírus:

Petrobras

A empresa sofre impacto duplo: além do coronavírus derrubar os mercados e provavelmente a agenda de venda de ativos da estatal, a receita é afetada pela guerra do petróleo entre Arábia Saudita e Rússia, que fez o preço da commodity despencar. O custo de financiamento da estatal dobrou. Na sexta-feira, a Petrobras adiou o processo de venda de suas refinarias, e pediu a bancos o desembolso de US$ 8 bilhões em linhas de crédito compromissadas.

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Varejo e shoppings

Em São Paulo, só farmácias e supermercados podem funcionar a partir de sexta-feira por determinação do governo local --prefeituras de outras cidades como Porto Alegre e Belo Horizonte tomaram medidas semelhantes. BR Malls, Aliansce Sonae e Multiplan anunciaram o fechamento temporário de shoppings na cidade do Rio de Janeiro, enquanto a Renner vai fechar suas lojas no Brasil, Uruguai e Argentina por tempo indeterminado.

Aéreas

O Governo federal anunciou pacote de medidas para socorrer as empresas aéreas, que são as mais afetadas até agora pela crise. Azul, que já opera com redução da capacidade total de 60%, pode ver o número chegar a 80%, segundo seu presidente, John Rodgerson. Já a Gol reduzirá capacidade total em 60%-70% até meados de junho no mercado doméstico e em 90%-95% no mercado internacional. A empresa anunciou também corte de salários e jornadas de cerca de 35% -- chegando a 40% para executivos da empresa. A Latam reduzirá capacidade em 70%.

Vale

A mineradora disse que o seu centro de distribuição na Malásia pode ser interrompido entre os dias 21 e 31 de março, o que traria um impacto nas vendas de aproximadamente 800 mil toneladas no primeiro trimestre. A Vale também colocou a mina de Voisey’s Bay, no Canadá, em “care and maintenance“ por quatro semanas como precaução, que deve reduzir a produção de cobre. Além disso, a paralisação das plantas de processamento de carvão em Moçambique, prevista para o segundo trimestre, está sendo revisada, o que pode afetar o guidance de 2020.

Bancos

Os cinco maiores bancos associados à Febraban anunciaram que estão atendendo pedidos de prorrogação dos vencimentos de dívidas de clientes pessoas físicas e micro e pequenas empresas. A estatal Caixa anunciou linhas de crédito especiais, com até seis meses de carência, para empresas do comércio e de serviços. Para máquinas e equipamentos, linhas terão taxas reduzidas com até 60 meses de prazo.

Frigoríficos

A JBS interromperá as operações em cinco de suas 37 unidades de carne bovina no Brasil por 20 dias devido a menor demanda por exportação, enquanto o Minerva decidiu dar férias coletivas em quatro plantas. BRF disse que vê baixo impacto de coronavírus na demanda brasileira e que complexos industriais, centros de distribuição, logística, cadeia de suprimentos e escritórios de apoio funcionam normalmente.

Automotivo

Ford, Toyota e Volkswagen anunciaram a suspensão temporária das fábricas locais nos próximos dias -- no caso da Ford, a paralisação também vale para a Argentina. GM e Mercedes-Benz concederão férias coletivas a partir de 30 de março, enquanto Caoa Chery inicia na próxima semana parada gradual das áreas produtivas. Audi, Fiat Chrysler, Honda, Nissan, Peugeot-Citroen e Renault estão tomando medidas de prevenção, mas ainda não tomaram decisões que possam afetar a produção. A fabricante de carrocerias Marcopolo vai liberar seus funcionários, assim como as fabricantes de autopeças Fras-Le e de implementos rodoviários Randon.

Ofertas adiadas

Hidrovias do Brasil, Vamos, BV, Caixa Seguridade, Iguá Saneamento e Parana Banco adiaram suas aberturas de capital. Segundo duas pessoas com conhecimento do assunto, o Banco Daycoval fez o mesmo. Ao todo, 25 operações previstas devem ser afetadas, entre ofertas e IPOs. Turbulência ainda fez com que a Braskem adiasse a divulgação do balanço do quarto trimestre.

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