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Empresas de energia incentivam tarifa social contra gatos e calote

NICOLA PAMPLONA
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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Em dezembro, a Light, distribuidora de energia que atende parte da população do estado do Rio, iniciou um esforço para encontrar 270 mil clientes que poderiam se beneficiar de subsídios na conta, mas ainda não se cadastraram em programa conhecido como tarifa social. A estratégia segue a adotada por outras empresas do setor, que intensificaram, após o início da pandemia, a busca por consumidores que ainda não optaram pelo programa, seja por falta de conhecimento do benefício, seja porque passaram a se enquadrar a ele, com a perda de renda e a adesão a programas sociais. Um dos objetivos é reduzir os riscos de aumento da inadimplência ou de ligações clandestinas, os chamados gatos, por clientes que não têm condições de pagar a tarifa cheia. Segundo a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), 2,1 milhões se cadastraram no programa até setembro. A Light já tem 459 mil clientes no programa, que dá desconto de até 65% na conta em sua área de atuação. Podem requerer a tarifa social consumidores que estão no Cadastro Único do governo federal e têm renda per capita familiar de até meio salário mínimo. No início de 2020, eram pouco mais de 10 milhões de clientes em todo o país, que receberiam durante o ano subsídio de R$ 2,6 bilhões, pagos pela CDE (Conta de Consumo Energético), encargo cobrado na conta de consumidores com renda mais alta e empresas. A previsão para 2021 é que o subsídio vá a R$ 3,5 bilhões, para 11,3 milhões de famílias. Nas quatro distribuidoras controladas pela Neoenergia, por exemplo, foram 551 mil novos cadastros como consumidor de baixa renda, alta de 18% na base desse tipo de clientes de suas distribuidoras (BA, PE, RN, SP e MS). "Desses, 402 mil foram de forma pró-ativa, sem necessidade de nos procurarem", diz Leonardo Moura, superintendente de processos comerciais da empresa. A ação envolveu o cadastramento de clientes com os requisitos e a criação de um canal de WhatsApp para receber documentos. A Enel (RJ, SP, CE e GO) teve um aumento de 27% na base de clientes de baixa renda, contando com um esforço de buscá-los por telefone. O crescimento foi impulsionado pela necessidade de cadastros sociais para recebimento de auxílios do governo, que ampliou a base de elegíveis, e pela isenção dada na tarifa de baixa renda anunciada pelo governo em abril. Durante três meses, os clientes dessa classe, com consumo inferior a 220 kWh (quilowatts-hora), tiveram a conta de luz paga pelo Tesouro. Para Ricardo Pierozzi, sócio da consultoria e auditoria PwC Brasil, a busca pela identificação do cliente com dificuldades para pagar a conta é uma das maneiras de reduzir o elevado índice das chamadas perdas não técnicas no mercado brasileiro de energia. O indicador calcula quanto foi injetado na rede de distribuição e não foi faturado. No Brasil, a média é 16%, acima dos 11% do México e o dobro dos 8% da Colômbia, por exemplo. A situação é bem pior no Rio (45%) e no Pará (40%). A percepção é que as medidas do governo seguraram a inadimplência e o aumento das fraudes, mas há receio com 2021, diante da expectativa de maior desemprego e sem auxílio emergencial. Por isso, o esforço para buscar os clientes com menor renda segue.