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Empresas de cruzeiros fazem lobby nos EUA para retomar navegação

Michael Smith
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- As maiores empresas de cruzeiros do mundo praticamente dobraram o número de lobistas enviados aos gabinetes do Congresso dos Estados Unidos e várias agências federais neste ano. Mas, na tentativa de retomar a navegação a partir de portos dos EUA, um de seus alvos mais eficazes tem sido a Casa Branca.

Uma ex-assessora da Força-Tarefa para o Coronavírus da Casa Branca disse que ela e outros assessores receberam uma série de ligações e e-mails de executivos de cruzeiros, como do lobista da Carnival. A mensagem era a seguinte: ajudem a suspender uma ordem de “proibição de navegação” dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, que proibiu cruzeiros de passageiros nos portos dos EUA desde março.

“Sempre que a ordem de proibição de navegação começava a surgir, as empresas de cruzeiros se envolviam”, disse Olivia Troye, que esteve envolvida nas discussões da força-tarefa sobre linhas de cruzeiro antes de deixar o governo em agosto. “As ligações começavam. Eles ligavam para todo mundo.”

Desde sua saída, Troye passou a endossar o candidato democrata à presidência Joe Biden e criticou a gestão do presidente Donald Trump para a pandemia de Covid-19 em um anúncio no mês passado para o grupo Republican Voters Against Trump. A secretária de imprensa da Casa Branca, Kayleigh McEnany, respondeu dizendo que Troye estava “descontente” porque foi demitida. Troye contesta isso.

Sua descrição do lobby do setor de cruzeiros, que é amplamente respaldada por divulgações federais e por outras pessoas que observaram a atividade, reflete o grau de influência que as empresas procuraram exercer desde que a Covid-19 paralisou suas operações nos Estados Unidos.

No mês passado, o setor recebeu notícias animadoras: o vice-presidente Mike Pence vetou um plano do CDC de estender a ordem de proibição de navegação até fevereiro, de acordo com duas pessoas a par do assunto. Essa decisão foi informada anteriormente pelo site Axios.

A ordem deve expirar no sábado, e a força-tarefa, presidida por Pence, revisa os planos das empresas de cruzeiros para combater o coronavírus antes de decidir se permitirá a retomada do setor.

O gabinete de Pence não quis comentar para este artigo - inclusive sobre quando a força-tarefa poderia tomar uma decisão. Representantes de três das maiores empresas de cruzeiros - Carnival, Royal Caribbean Cruises e Norwegian Cruise Line - não quiseram comentar sobre suas atividades específicas de lobby.

“Terei uma conversa com qualquer pessoa que fale conosco sobre este assunto”, disse na quinta-feira Richard Fain, presidente do conselho e CEO da Royal Caribbean, quando questionado durante teleconferência com analistas se havia falado com a Casa Branca. “As conversas que tive são privadas e respeito a privacidade delas.”

A Cruise Lines International Association, ou Clia, também não quis discutir detalhes, mas o presidente da associação, Adam Goldstein, disse que o grupo tem “relações com muitos senadores, congressistas, governadores, prefeitos e outros”.

O CDC deixou claro na atualização mais recente da ordem que os cruzeiros estão longe de estarem protegidos da Covid. Até 28 de setembro, 124 navios de cruzeiro, ou 82% da frota dos EUA, haviam registrado surtos de Covid, com a morte de pelo menos 41 pessoas e 3.689 casos, segundo a ordem.

Recentemente, surtos de Covid ocorreram a bordo de navios que foram autorizados a navegar em outros países, apesar da “implementação de medidas para controlar a doença”, disse o CDC. Essas medidas incluíram a eliminação de buffets, limitação da capacidade dos navios a 50% e exigência de distanciamento social, segundo o relatório.

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