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Empresas captam R$ 236,9 bi no mercado de capitais doméstico até setembro, diz Anbima

Sérgio Tauhata
·4 minutos de leitura

Volume de oferta de ações no período cresceu 20,5%; participação de estrangeiros nessas transações caiu de 44,6% para 24,4% As empresas brasileiras captaram R$ 236,9 bilhões no mercado de capitais doméstico em 2020 até o terceiro trimestre, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). A cifra representa um recuo de 21,5% comparado ao emitido no mesmo período de 2019. O grande destaque no terceiro trimestre de 2020 foram as emissões de renda variável. O volume de ofertas de ações em nove meses neste ano supera em 20,5% o total do mesmo período de 2019. Foram captados por meio de abertura de capital (IPO) e ofertas subsequentes (follow-on) R$ 69,2 bilhões até o terceiro trimestre ante R$ 57,5 bilhões no ano passado na mesma base de comparação. Só entre julho e setembro, as companhias fizeram quase metade do volume de 2020, com R$ 32,3 bilhões em ofertas de ações concretizadas. O montante é muito próximo ao realizado no terceiro trimestre de 2019, quando as companhias captaram R$ 33,2 bilhões, segundo a Anbima. O vice-presidente do Fórum de Mercado de Capitais e presidente da Comissão de Renda Fixa da Anbima, Sergio Goldstein, durante coletiva para avaliar os resultados, afirmou que 2020 deve se consolidar como o segunda maior quantidade de IPOs e follow-ons da série histórica atrás apenas de 2007, quando 64 operações resultaram em uma movimentação de R$ 56 bilhões. Apesar dos recordes, os dados da Anbima mostram que a participação de investidores internacionais nas ofertas de ações vêm caindo significativamente. Em 2018 até terceiro trimestre, os estrangeiros responderam por 63,7% do volume captado. Já em 2019, no mesmo período, o percentual caiu para 44,6%. Neste ano, o capital de fora representou apenas 24,4% da captação. Goldstein classificou como histórica a queda de representação estrangeira nos IPOs e follow-ons, mas ponderou haver uma mudança saudável com o crescimento de participação dos investidores locais nas operações. “Houve uma queda histórica na participação de estrangeiros nas ofertas de ações, mas o ano está sendo surpreendentemente bom e os recordes mostram que podemos falar que o investidor domestico está entrando mais.” Para o representante da Anbima, “a vinda menor dos estrangeiros tem a ver com conjuntura, pandemia e preferência por outros mercados com os quais a gente compete”. Conforme Goldstein, “o interessante é notar que o estrangeiro hoje é menos relevante para as ofertas, diferente do passado em que a gente dependia do investidor de fora para ter sucesso”. Renda fixa Na renda fixa, considerando também o que a Anbima classifica como instrumentos híbridos, como os fundos imobiliários, as empresas brasileiras captaram R$ 167,7 bilhões em 2020 até setembro. As debêntures, incluindo as incentivadas, representaram 43,8% do total com R$ 73,5 bilhões. Nesse mercado, chama a atenção a mudança de composição dos participantes. Os fundos de investimentos que representaram 59,2% em 2019 agora participam com apenas 13,4% das emissões até setembro. Já o perfil chamado de intermediários e demais participantes ligados à oferta, que são basicamente bancos, saltou de 37,5% em 2019 até o fim do terceiro trimestre para 81,6% neste ano no mesmo período. De acordo com Goldstein, “os bancos que estão entrando e comprando debêntures para suas carteiras, com uma visão de algum momento poder vender, assim que o mercado de crédito for mais tomador”. Na visão do executivo, “os bancos estão fazendo esse crédito via valor mobiliário para ter mais liquidez e poder vender”. Goldstein explica que em 2019, no terceiro trimestre, os fundos de crédito estavam em um momento de forte participação nas emissões por conta do impulso dos juros baixos para a tomada de risco pelos investidores, mas, após a crise de gestão de liquidez no fim do ano passado e início deste ano, o apetite recuou. “No terceiro trimestre de 2019 tínhamos fundos de crédito chegando forte, porque as pessoas estavam acordando para o risco e o primeiro risco que tomaram lá atrás foi por meio da renda fixa no crédito privado.” O representante da Anbima acredita que a substituição dos fundos pelos bancos em termos de participação mostra um mercado saudável. “Essa queda da participação de fundos acaba sendo compensada pelos bancos, o que é algo bom porque mostra que é um mercado sadio, porque na hora que um sai outro entra, é um mercado se autorregulando.” No mercado externo, as empresas brasileiras captaram US$ 20,5 bilhões em 2020 até setembro, acima dos US$ 16,6 bilhões em 2019 no mesmo período. “Estamos seguindo o volume histórico que a gente faz nas emissões internacionais mesmo em um ano atípico”, diz Goldstein.