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Empresas aproveitam queda do dólar para recomprar dívida externa

(Bloomberg) -- Empresas brasileiras com altos níveis de caixa aproveitaram a queda do dólar para recomprar títulos de dívida externa, antecipando-se a uma possível deterioração cambial.

Nos primeiros quatro meses do ano, 10 empresas -- incluindo a Petrobras e a Embraer -- anunciaram ofertas públicas de recompra de bonds denominados em dólares, conhecidas como “tender offers”. Trata-se do início de ano mais agitado para esse tipo de operação desde pelo menos 2016, quando a Bloomberg começou a compilar os dados. O movimento também chama atenção porque as recompras de bonds caíram no mercado global esse ano em meio ao aumento das taxas de juros.

Essas empresas, cujas operações de recompra somam ao redor de US$ 5 bilhões, aproveitaram a baixa do dólar no primeiro trimestre para reduzir sua alavancagem, em sua maior parte, ao invés de refinanciar a dívida emitindo novos títulos. O movimento sugere um grau de ceticismo por parte das companhias em relação à força da moeda no longo prazo. De fato, o real já apagou grande parte do rali este ano e a expectativa é de que a moeda continue bastante volátil conforme a eleição presidencial de outubro se aproxima.

“‘Provavelmente o nível do câmbio recente abaixo de 5 reais por dólar deve ter motivado essas recompras”, disse Gustavo Brotto, diretor de investimentos da Greenbay Investimentos em São Paulo. “Além de as empresas estarem com bastante caixa disponível.”

O dólar chegou a cair até 18% - atingindo a mínima de R$ 4,5853 em 5 de abril - antes de voltar a subir e reduzir a queda no ano para menos de 8% em meio ao aumento dos temores de um aperto monetário mais agressivo do Federal Reserve, que diminuem o apetite dos investidores por ativos mais arriscados. A moeda brasileira também foi atingida pelo fim iminente do ciclo de alta do juro do Brasil. Os analistas consultados pela Bloomberg veem o dólar subindo para R$ 5,20 até o final do ano.

Galapagos: Recompra de dívida indica volta da demanda por dólar

A volatilidade implícita de três meses do real está no nível mais alto desde setembro de 2020, em meio à preocupação de que as eleições possam causar turbulência política e nos mercados. As próprias recompras de dívida também tiveram impacto no câmbio, dado que as empresas enviam dólares para o exterior para realizar o pagamento.

“Acho que isso acaba pressionando o câmbio”, disse Sergio Zanini, sócio e gerente de portfólio da Galapagos Capital em São Paulo. “Especialmente se as empresas não têm uma reserva de caixa grande no exterior”.

Em meio ao aumento nas recompras, as emissões de títulos de dívida no exterior por empresas brasileiras caíram pela metade no primeiro trimestre em relação ao ano anterior, de acordo com o último relatório da Anbima, a associação de mercado de capitais do país. É uma tendência semelhante ao que está acontecendo nos mercados emergentes, que em abril viram as vendas de bonds caírem para o menor nível do mês em uma década.

Ofertas de dívida de mercados emergentes caem com guerra na Ucrânia e altas de juros

As emissões de debêntures, por outro lado, registraram o mais forte primeiro trimestre desde 2012, somando R$ 55,9 bilhões (US$ 10,8 bilhões), quase o dobro do volume dos primeiros três meses do ano passado, de acordo com a Anbima.

Mas, na maioria das vezes, as empresas que compram de volta suas dívidas no exterior não são as mesmas que estão vendendo deêntures no mercado local. Em vez disso, as companhias estão sacando suas reservas de caixa para reduzir seu endividamento.

A Petrobras recomprou em dinheiro quase US$ 2 bilhões em títulos denominados em dólar com vencimento entre 2024 e 2051 no mês passado e a Embraer recomprou cerca de US$ 290 milhões em notas com vencimento ainda este ano e no próximo.

Uma das últimas empresas a concluir uma oferta de recompra foi a Ultrapar Participações, que recomprou quase US$ 600 milhões em notas com vencimento em 2026 e 2029. A concessionária Aegea Saneamento e Participações anunciou no final de abril uma oferta de recompra de até US$ 400 milhões de seus títulos com vencimento em 2024, além de anunciar a oferta de US$ 500 milhões em novas notas denominadas em dólares com vencimento em 2029 e 2,8 bilhões de reais em títulos locais.

As recompras desaceleraram recentemente, já que o real devolveu parte dos ganhos do início deste ano. Mas as operações podem acelerar novamente se o real voltar a se fortalecer, de acordo com Brotto.

“Acredito que uma melhora do real, abaixo de 5, poderia motivar mais recompras de empresas que estejam bem capitalizadas”, disse ele. “Porque tomar novos empréstimos tanto aqui no Brasil como lá fora tem ficado cada vez mais caro com a alta global dos juros”.

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