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Empresa promete rejuvenescimento de 20 anos e preocupa cientistas

Nathan Vieira

Uma empresa chamada Libella Gene Therapeutics afirma estar desenvolvendo um tratamento genético que pode reverter o envelhecimento em até 20 anos. Em entrevista ao OneZero, a companhia diz que está pronta para dar uma terapia experimental antienvelhecimento a idosos em uma clínica ao norte de Bogotá, Colômbia, mas está cobrando US$ 1 milhão (R$ 4 milhões). Cientistas e especialistas em ética dizem que esse experimento levanta preocupações sobre como os tratamentos antienvelhecimento devem ser testados nas pessoas.

O objetivo da terapia de Libella é aumentar os filamentos de telômeros (extremidades livres de cromossomos que garantem replicação de DNA) de uma pessoa, pois eles são associados ao envelhecimento e parecem encurtar à medida que a pessoa envelhece. A empresa, então, acredita que pode prevenir, atrasar ou até reverter o envelhecimento.

“Eu sei o que estamos tentando fazer soar como ficção científica, mas acredito que é uma realidade científica,” diz Jeff Mathis, CEO da companhia.O tratamento é baseado em estudos publicados pelo geneticista americano Ronald DePinho em 2010 e pela cientista espanhola Maria Blasco em 2012 , que descobriram que a terapia genética da telomerase poderia reverter os sinais de envelhecimento em ratos.

Tratamento milionário antienvelhecimento gera inúmeras controvérsias

O biólogo molecular Bill Andrews liderou um grupo de pesquisa da empresa para identificar a enzima telomerase humana, e desenvolveu uma terapia genética com telomerase. Ele diz que a redução de telômeros não é a única causa do envelhecimento, mas desempenha um papel nos seres humanos. "Acho que o envelhecimento é uma das piores coisas que afeta os seres humanos", diz Andrews. "Se tivéssemos uma cura para o envelhecimento daqui a 200 anos e decidíssemos ter uma eleição para ver se a proibiríamos, acho que as pessoas nunca escolheriam proibir".

No entanto, esse tratamento antienvelhecimento atraiu muitas críticas por golpes e produtos exagerados, sem benefícios comprovados à saúde, e algo que chama a atenção é o fato de que a empresa e seus testes estão localizados em diferentes países. Leigh Turner, bioeticista da Universidade de Minnesota que estuda ensaios clínicos que comercializam terapias não comprovadas, diz suspeitar que a empresa optou por sair do país para evitar a Food and Drug Administration. "Embora a empresa esteja sediada nos Estados Unidos, eles conseguiram encontrar uma maneira de burlar a lei federal dos EUA, indo para uma jurisdição onde é mais fácil se envolver nessa atividade". Turner ainda diz que o custo de US$ 1 milhão é alarmante.

Tratamento antienvelhecimento pode causar câncer, o que preocupa os especialistas

O teste de Libella exigirá que os participantes permaneçam na clínica colombiana por 10 dias após receber a terapia, para que possam ser monitorados quanto a quaisquer efeitos colaterais, e os cientistas irão acompanhar os participantes por um ano, avaliando a duração de seus telômeros e medindo outros marcadores biológicos do envelhecimento. Por sua vez, alguns pesquisadores da área estão preocupados com o fato de colocar muita telomerase nas células faça com que as elas se dividam mais rapidamente e promovam o crescimento de tumores, até porque pesquisas anteriores vincularam telômeros mais longos ao aumento do risco de câncer, com cientistas descobrindo que as células cancerígenas tendem a ter mais telomerase que a maioria das células normais.

Fonte: Canaltech

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