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Empresa inventa caixa inteligente para armazenar maconha

EDUARDO SODRÉ

LAS VEGAS, EUA (FOLHAPRESS) - Não adianta procurar no aplicativo da CES 2020 ou pedir informações a atendentes sobre a canadense Keep Labs, empresa que desenvolveu uma caixa inteligente para armazenar maconha.

A startup encontrou restrições para exibir seu invento na feira de tecnologia realizada em Las Vegas, preferiu se ausentar e se tornou a empresa-problema da vez. Em 2019, esse posto foi ocupado pela Lora DiCarlo, que produziu o vibrador Osé.

Em comum, ambos os produtos receberam menções honrosas e deveriam ter sido expostos no Innovation Awards Showcase, espaço reservado às novidades consideradas mais relevantes ou curiosas entre as que se inscreveram no evento.

A história da Keep Labs começa no dia 7 de novembro, quando a Consumer Technology Association, entidade responsável pela organização da CES, anunciou que a empresa canadense estava entre as contempladas na categoria eletrodomésticos.

Dois meses depois, a Keep foi comunicada de que seu produto só poderia ser exposto caso a palavra "cannabis" não fosse mencionada, o que comprometeria sua participação na feira de tecnologia.

A área reservada ao Innovation Awards Showcase fica em um salão dentro do The Venetian Hotel, que é uma das sedes da CES. É um espaço com lustres pomposos, mas sem muita infraestrutura. As novidades ficam expostas lado a lado em caixas de vidro que parecem aquários, identificadas por etiquetas de papel com letras miúdas coladas sobre plaquetas de acrílico.

Nesse ambiente e sem a identificação correta, o invento da Keep Labs seria apenas uma caixinha semelhante a um rádio-relógio perdida entre outras novidades. Dessa forma, a empresa optou por não exibi-lo.

Segundo a descrição da empresa canadense, seu dispositivo foi projetado para manter a maconha segura e discreta dentro de casa. O Keep usa identificação biométrica e bloqueio por meio de aplicativo para impedir que pessoas não autorizadas tenham acesso à cannabis. Se alguém tentar abrir o recipiente, o dono recebe alertas em seu smartphone.

A caixa é hermeticamente fechada e incorpora uma balança de alta precisão, além de trazer um mostrador digital que exibe hora e temperatura ambiente. Caso venha a ser patenteada e comercializada, a invenção estará disponível nas cores giz branco e preto ardósia.

Em um comunicado, a organização da CES alega que a maconha é ilegal em nível federal, não podendo ser consumida em parques públicos e hotéis no estado de Nevada, onde fica a cidade de Las Vegas, nem ter menções que façam algum tipo de apologia à cannabis.

A entidade diz ainda que a Keep Labs poderia expor sua caixa tecnológica como um eletrodoméstico ou dispositivo de armazenamento, categoria em que a empresa teria se enquadrado durante a inscrição no Innovation Awards Showcase.

Em seu site, a Keep Labs destaca a honraria concedida pelos organizadores da CES e reserva uma área para exibir links com notícias sobre sua polêmica na feira.

Na apresentação virtual do produto, palavras que remetem à maconha são substituídas por sinônimos. A frase de abertura diz "Meet Keep: smart, discreet storage for your stash" ("conheça a Keep: armazenamento discreto e inteligente para o seu estoque").

A assessoria da Keep Labs ainda não respondeu aos e-mails enviados pela reportagem, mas não deve estar tão preocupada com sua ausência voluntária na feira. A empresa Lora DiCarlo teve destaque bem maior ao longo do ano passado e agora possui um estande próprio na CES.

O caso da fabricante do vibrador desenvolvido por mulheres foi mais grave: a organização da CES retirou a premiação concedida e proibiu que o Osé fosse exibido na feira. Com a repercussão do caso, a entidade voltou atrás e, além de revalidar a menção honrosa, permitiu sua exposição no evento de 2020.

O estande da Lora DiCarlo ocupa um bom espaço no Venetian Hotel. Está perto da gigante holandesa Philips em uma área dedicada a artigos de saúde.

Ian Kulp, que é um dos representantes da Lora DiCarlo na CES, explica que o Osé já está à venda pela internet por 290 dólares (R$ 1.180). A comercialização teve início no fim de novembro.

Kulp apresentou dois novos estimuladores femininos que serão lançados no segundo trimestre, chamados Baci e Onda. O primeiro simula a sensação da boca e da língua durante o sexo oral, e o segundo reproduz o toque dos dedos no ponto G, segundo a descrição disponível no site da empresa Lora DiCarlo.

*O jornalista viajou a convite da Ford