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O que seriam das empresas se todos fossem CEOs

Foto: Getty Images

Por Eliete Oliveira*

As definições de sucesso foram atualizadas e são muito diferentes daquelas que vimos no passado. No início da minha carreira, entrevistei um candidato e fiz aquela velha pergunta: O que você espera dos seus próximos cinco anos? Lembro que ele disse que não gostaria de ter um cargo de liderança e aquilo me causou uma certa estranheza.

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Hoje, vinte anos depois, escuto isso de outro profissional e acho absolutamente natural. Vivemos durante muito tempo, modelos organizacionais nos quais, se você não escolhesse ter um cargo de liderança, provavelmente seria visto como alguém "perdedor" ou alguém sem "ambição". Neste cenário, se você chegasse aos trinta anos com um cargo de especialista, sofreria algum tipo de cobrança por isso.

“Liderar não é impor, é despertar nas pessoas a vontade de fazer” (e isso vale para o próprio líder)

O culto a liderança sempre existiu e sempre fez com que em algum momento nos sentíssemos culpados por não sermos “bem-sucedidos”. Mas, o que é sucesso? É chegar ao topo dos cargos corporativos? Se fosse assim não veríamos tantas pessoas infelizes nestes cargos.

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O fato é que a estagnação ou a demissão eram uma realidade muito comum para profissionais que não se identificavam com estes postos. Por outro lado, alguns, acabavam ocupando estas posições apenas por status ou medo de serem julgados. O resultado, eram profissionais insatisfeitos, diversos conflitos na área e que impactavam nos resultados da empresa de uma maneira geral.

Estudos recentes, realizados nos EUA, demonstraram que somente 30% dos profissionais das empresas, desejam ter um cargo de liderança e que os demais se sentiriam confortáveis ocupando posições onde pudessem mostrar seu melhor potencial técnico.

A mudança de paradigma

Ninguém precisa ser gênio em matemática, para perceber que essa conta não fecha e que algum momento, este modelo estaria fadado ao fracasso, afinal, não existem cargos de liderança disponíveis para todos os profissionais. Isso é tão real, que as empresas, percebendo essa insatisfação, criam a “carreira em y” e que de uma certa forma deu um fôlego para aqueles profissionais que não queriam se desenvolver apenas verticalmente.

Desta forma, os antigos padrões foram quebrados, abrindo a possibilidade para que todos os profissionais pudessem desenvolver ao máximo as suas potencialidades. Na verdade, a carreira em Y oferece opções, tanto para se desenvolver em um cargo gerencial, como, a partir de determinado momento, em um cargo de especialista, sem que isso represente estagnação e desvalorização profissional.

No final, todas as posições são importantes para as empresas. A verdadeira cultura organizacional, é aquela que entende as características e habilidades individuais e contribui para que todos possam se desenvolver, através de um único objetivo: extrair o melhor potencial de cada um.

*Eliete Oliveira é consultora de recolocação profissional e Top Voice do LinkedIn. No Yahoo Finanças, ela fala sobre carreira e os dilemas do mundo corporativo.