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Empresa cria pessoas digitais para povoar o metaverso como mão de obra virtual

·3 min de leitura

A empresa Soul Machines, sediada na Nova Zelândia, desenvolveu humanos digitais para povoar o metaverso. Essa nova classe de “pessoas” pode ser usada como força de trabalho em um ambiente virtual, atendendo clientes, fazendo vídeos promocionais ou interagindo com a vizinhança em espaços online.

A primeira pessoa digital da startup é a Sam, uma inteligência artificial (IA) que opera sob uma plataforma de cérebro virtual, rodando em um sistema apelidado de Humans OS 2.0. Ela foi projetada para interagir com humanos de verdade, estudando as expressões e comportamentos via webcam em tempo real.

Além de habitar um provável metaverso no futuro, a Sam e seus amigos podem se tornar versões digitais de nós mesmos, com personalidades distintas sendo empregadas conforme a situação e o ambiente onde estarão inseridas. Seria algo como os NPCs — non-player character, ou personagem não jogável — nos videogames.

“Quando estamos jogando, adotamos uma determinada personalidade, quando treinamos o time de futebol dos nossos filhos adotamos outra. Como seres humanos, estamos sempre ajustando nossa persona e o papel que temos dentro desses parâmetros. Com as pessoas digitais, também podemos criar essas construções”, diz fundador da empresa, Greg Cross.

Humans OS 2.0

As pessoas digitais da Soul Machines rodam em um sistema operacional que nada mais é do que uma plataforma de animação autônoma. Esse cérebro digital permite que a inteligência artificial aprenda durante o processo de interação com pessoas reais e não apenas imite o comportamento dos humanos de carne e osso.

Para enxergar o mundo, as pessoas digitais utilizam uma câmera de alta resolução que permite que seus cérebros virtuais reajam a expressões faciais e maneirismos, interpretando reações comuns durante uma conversa. Elas também conseguem ouvir os sons do ambiente, processando a resposta mais apropriada quase instantaneamente.

“Em algum momento no futuro, você poderá criar uma versão digital de você mesmo ou várias versões diferentes simultaneamente, e elas poderão sair por aí e fazer coisas como trabalhar e ganhar dinheiro enquanto você está em outro lugar, fazendo alguma tarefa muito mais divertida”, prevê Cross.

Ética em questão

Segundo os executivos da empresa, as pessoas digitais ainda precisam da orientação de um treinador humano, mas a ideia é que elas consigam tomar decisões baseadas em seus próprios objetivos, seguindo valores sociais para se tornarem mais naturais e intuitivas enquanto progridem.

Outro fator a ser considerado é a questão ética de dar aos cérebros digitais a capacidade de aprender com o único objetivo de trabalhar para os humanos dentro de um metaverso. Especialistas temem que possa estar surgindo uma nova forma de escravidão ou servidão contratada, levando para o ambiente virtual preconceitos e discriminações do mundo real.

“A tecnologia, seja ela qual for, sempre foi usada pela maioria para fazer coisas incrivelmente boas, e por alguns de nós para realizar ações que não são muito louváveis ou simplesmente são más. Isso é um reflexo da condição humana e teremos que conviver com ele aqui ou no metaverso”, encerra Greg Cross.

Fonte: Canaltech

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