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Empresa atingida por vírus recebe equipe com dicas de higiene

Tim Loh

(Bloomberg) -- Depois de duas semanas presos em casa devido ao surto de coronavírus em sua empresa, o maior da Alemanha, funcionários da Webasto retornaram à sede na quarta-feira e foram recebidos com dois avisos.

“Bem-vindos de volta!”, dizia um, enquanto o outro dava dicas de higiene.

A fornecedora de autopeças de controle familiar, localizada a meia hora ao sul de Munique, ganhou destaque no cenário mundial depois que nove funcionários na Alemanha e alguns de seus familiares contraíram o vírus.

Os problemas causados na Webasto mostram o que outras empresas tentam evitar. Muitas impediram funcionários de ir e de voltar da China, onde começou o surto que infectou cerca de 45 mil pessoas em todo o mundo, enquanto outras cancelam visitas a eventos ou pedem que os empregados trabalhem de casa.

“Este tem sido um grande fardo para nossos trabalhadores e suas famílias”, disse o CEO da Webasto, Holger Engelmann, a repórteres e funcionários na entrada da sede, uma instalação de US$ 44 milhões inaugurada em 2018. “Agora temos que olhar para frente e voltar lentamente aos negócios do dia a dia.”

Maior mercado

Isso vai levar tempo. Desde que a Webasto entrou na China em 2001, o país asiático se tornou o maior mercado para a empresa fundada há 120 anos. A companhia, especializada em teto e sistemas de aquecimento automotivos, bem como em baterias e carregadores de carros elétricos, gerou mais de 30% de seus 3,4 bilhões de euros (US$ 3,7 bilhões) em vendas globais na China em 2018. A empresa empregava 3,5 mil pessoas na China de sua força de trabalho de 13 mil naquele ano.

Os clientes da Webasto incluem Ford Motor, Daimler e Volkswagen. No ano passado, Engelmann disse à Automotive News que esperava atingir 5 bilhões de euros em vendas globais até 2020.

A crise na Webasto começou em janeiro, apenas alguns dias após a inauguração da 11ª fábrica na China, um local de 36 mil metros quadrados ao sul de Xangai.

Em 20 de janeiro, uma funcionária chinesa de Xangai visitou a sede em Stockdorf, na Alemanha, sem perceber que estava doente. Depois de participar de várias reuniões, ela acordou por volta da meia-noite sentindo a temperatura do corpo um pouco elevada, mas não febril, segundo pesquisadores médicos quem a entrevistaram. Ela sentiu pequenas dores e fadiga em 21 de janeiro, que atribuiu ao jet lag.

No dia seguinte, a mulher sentiu um pouco frio antes de deixar Munique naquela noite. A primeira vez que percebeu que estava doente foi na noite de 23 de janeiro, quando estava de volta à China, escreveram os pesquisadores. A Webasto disse que outro funcionário chinês que visitou a Alemanha também apresentou resultados positivos.

Em questão de dias, funcionários da empresa na Alemanha também começaram a ficar doentes, no que continua sendo um dos maiores grupos de casos relatados causados por propagação de humanos para humanos fora da China, assim como um ponto polêmico no debate sobre quão cedo as pessoas podem transmitir a doença.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórter da matéria original: Tim Loh Munich, tloh16@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Eric Pfanner, epfanner1@bloomberg.net, Anne Pollak

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