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Empresários e chefs famosos apostam em aulas online

MARÍLIA MIRAGAIA
·5 minuto de leitura
**ARQUIVO** SÃO PAULO, SP, 08.04.2015: O chef Alex Atala, do D.O.M., em evento realizado no MuBE (Museu Brasileiro da Escultura), em São Paulo. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
**ARQUIVO** SÃO PAULO, SP, 08.04.2015: O chef Alex Atala, do D.O.M., em evento realizado no MuBE (Museu Brasileiro da Escultura), em São Paulo. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Depois do sucesso de lives de comida na pandemia, empresários e chefs, entre eles nomes conhecidos como Alex Atala, Rita Lobo e Jefferson Rueda, fizeram sua estreia no mercado de cursos online, com produções próprias ou feitas em parcerias com plataformas.

Entre a oferta, há conteúdo para quem quer cozinhar, aprender sobre vinho ou comida brasileira e até participar de discussões teóricas.

Alex Atala, à frente do D.O.M., em São Paulo, lançou em fevereiro seu primeiro curso online, desenvolvido em parceria com a plataforma Curseria. As onze aulas (R$ 797) abordam técnicas, receitas e histórias que marcaram sua trajetória.

Já em alta, o setor de cursos livres online quebrou barreiras na pandemia, quando muitas pessoas experimentaram o formato pela primeira vez, diz Sergio Agudo, 48, diretor-executivo da Curseria.

Na plataforma, os cursos do setor saltaram de 2.982 em 2019 para 20.171 em 2020, segundo Agudo. "As pessoas estavam mais tempo em casa buscando capacitação e hobbies", afirma.

Antes de lançar um novo curso, a empresa faz um mapeamento das questões que aquele conteúdo pretende solucionar. "Esse curso vai falar para um chef novo ou um amador? Para uma pessoa que está nas capitais ou no interior? Qual acesso à gastronomia ela tem?", diz Agudo.

Com a grande quantidade de informação disponível na internet, quem está disposto a investir no setor deve fazer um estudo de mercado e do consumidor para entender o nível de concorrência que vai encontrar, afirma Ivan Tonet, analista de relacionamento com o cliente do Sebrae.

O importante, afirma o especialista, é definir a proposta do curso e como ele vai se posicionar no mercado.

Pioneira em São Paulo e em atividade desde 1985, a Escola Wilma Kövesi de Cozinha passou por uma digitalização com a pandemia e desengavetou a ideia de lançar um braço online do negócio.

Uma das prioridades do processo foi dar ao aluno a sensação de estar dentro da escola, diz Betty Kövesi, 58, proprietária da empresa.

Para isso, ela contratou um videomaker, que deu apoio nas gravações. Foram utilizadas câmeras em diferentes ângulos, para destacar a transformação do alimento.

As produções são comercializadas de duas maneiras. Uma delas, chamada de venda perpétua, tem aulas individuais disponíveis permanentemente no site da marca, que podem ser acessadas a qualquer momento.

O segundo formato prevê a formação de turmas, abertas de tempos em tempos, e conta com estrutura online para tirar dúvidas diariamente e lives periódicas. Esse é o formato do curso Principiantes (R$ 997 à vista), mas outros estão a caminho.

As aulas, roteirizadas pela chef Marina Hernandez e apresentadas por outra, Gabriela Martinoli, são gravadas previamente, mas podem receber atualizações a cada nova turma formada.

Como no ensino a distância o aluno é quem gerencia seu tempo, é necessário construir recursos capazes de fixar sua atenção, diz Daniel França, coordenador do curso de gastronomia da Anhembi Morumbi, que oferece opções em EAD.

Conhecida autora e apresentadora, Rita Lobo, 46, estreou no fim do ano passado a Escola Panelinha, com temas voltados à cozinha doméstica.

Em parceria com o Senac, o projeto foi desenvolvido por dois anos. O primeiro curso foi lançado em novembro. Intitulado Aprenda a Temperar com Ervas e Especiarias, ele custa R$ 420, com carga horária de 16 horas.

A experiência da sala de aula virtual, segundo Rita Lobo, foi pensada além de videoaulas e conta com textos explicativos, infográficos, atividades interativas, testes de conhecimento e atividades com conteúdo complementar.

"É uma forma de garantir mais flexibilidade. Cada um decide quando e como vai estudar. Mas tem um roteiro, uma sequência de construção do conhecimento e um incentivo para colocar esse aprendizado em prática", afirma.

Com mais de 20 anos de experiência no setor, a chef acumula programas de TV, canal no YouTube, podcast e 11 livro publicados.

Para Ivan Tonet, do Sebrae, a autoridade do professor é crucial para o sucesso do formato. "Precisa ficar claro porque aquela pessoa está apta a falar sobre o tema e porque o aluno que irá comprar o curso vai ser beneficiado", afirma.

Jornalista especializada em gastronomia, Luiza Fecarotta, 39, lançou em outubro de 2020 um curso sobre a obra da cronista Nina Horta (1939-2019), ex-colunista da Folha. Colaborada do jornal, Luiza também foi curadora do Fartura, festival e plataforma de pesquisa.

"Quando abri a primeira turma, encontrei um público que buscava conteúdo para pensar na conexão entre literatura e comida", diz ela. Na quinta edição, o curso (R$ 380 com quatro aulas) já recebeu 200 alunos no formato online, realizado em transmissão ao vivo.

Duas produções, sobre cozinha caipira e receitas com porco, foram a aposta da Edutiva para fazer sua estreia no seguimento, no começo do ano.

Para falar sobre o assunto, a plataforma convidou uma autoridade no tema: o chef Jefferson Rueda, da Casa do Porco, em São Paulo. Cada curso custa R$ 325, com 12 episódios.

A ideia, afirma o diretor da marca, João Nasser, 24, é oferecer aulas de especialistas em diferentes áreas, com uma gravação de tom mais documental que tem a finalidade de deixar o aprendizado mais leve.

"A gente não quis só criar um curso educacional, mas também ter uma pitada de entretenimento. No caso do Jefferson, fomos até o sítio dele, gravamos onde foi criado."

Para sair do papel, a marca recebeu R$ 280 mil de investimento. Outros três cursos estão planejados para este ano.

Depois da Covid, a sommelière Alexandra Corvo, 45, educadora à frente da escola Ciclo das Vinhas, em São Paulo, passou a explorar novos formatos online.

Além de cursos e lives de degustação, ela começou a fazer eventos corporativos online, com aulas a distância para funcionários. Um evento para 20 pessoas custa cerca de R$ 10 mil.

Para isso, é escolhido um tema, como os vinhos da região francesa da Borgonha, e cada participante recebe em casa garrafas acompanhadas de quitutes, como queijos.

Em uma transmissão, a sommelière indica características da região e dá dicas para servir a bebida. "Além de ser prático, é uma maneira de desestressar em casa", diz.