Empresários articulam fórum Brasil-Argentina

"Brasil e Argentina não podem mais ficar brigando na plataforma da estação, porque senão vão perder o trem da História." Com esta metáfora ferroviária, o empresário José Ignácio De Mendiguren, presidente da União Industrial Argentina (UIA), defende que os conflitos comerciais devem ser deixados de lado, já que existem prioridades urgentes que os dois países devem enfrentar.

"O Brasil e a Argentina não podem continuar buscando no passado soluções para os problemas que estão vindo", afirmou ao Estado. De Mendiguren, que foi ministro da Produção da Argentina, está organizando para os dias 27 e 28 de novembro a maior reunião industrial brasileiro-argentina já realizada.

O encontro, que será realizado na cidade de Cardales, 77 quilômetros a noroeste de Buenos Aires, reunirá a nata da Confederação Nacional da Indústria (CNI) do Brasil e do empresariado argentino, e contará com a presença dos chanceleres e dos ministros do desenvolvimento dos dois países. A expectativa da UIA é de que também participem as presidentes Dilma Rousseff e Cristina Kirchner. "Estamos no aguardo da confirmação", disse De Mendiguren.

Em seu escritório no histórico prédio da UIA na avenida de Mayo, "El Vasco" (O Basco), como é chamado por seus amigos e pela própria presidente Cristina Kirchner, sustenta que o objetivo do conclave é o de reunir os empresários dos dois países para definir propostas para "acelerar" a integração bilateral.

"Chega de palavras retumbantes e declarações de ações que nunca se concretizam. Temos de agir, e já", diz De Mendiguren. "Esse encontro pretende debater estratégias desde a economia real. Será o primeiro fórum para analisar e resolver problemas, além de avaliar os potenciais para os respectivos desenvolvimentos", afirma.

De Mendiguren afirma ainda que a reunião não pretende discutir "casos circunstanciais", já que o objetivo "é a integração potencial". "O Brasil e a Argentina representam um mercado de 250 milhões de consumidores. Enquanto o resto do mundo encolhe, nossos dois países possuem classes médias que aumentam." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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