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Emprego informal recorde no Brasil derruba produtividade da economia, diz estudo da FGV

Ricardo Funari/Brazil Photos/LightRocket via Getty Images

RESUMO DA NOTÍCIA

  • A produtividade por hora trabalhada na economia ficou estagnada em 2018, quebrando uma recuperação iniciada em 2017, e passou a cair este ano.

  • Brasil tem hoje 38,8 milhões de trabalhadores na informalidade, um número recorde, equivalente a 41,4% da força de trabalho.

A produtividade da economia brasileira, que se recupera lentamente da recessão vivida entre 2014 e 2016, tem sido derrubada por fatores como a informalidade recorde no mercado de trabalho.

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A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, segundo o qual o país tem hoje 38,8 milhões de trabalhadores na informalidade -- número recorde, equivalente a 41,4% da força de trabalho. As vagas geradas entre 2018 e 2019, quase todas informais, pagam menos e são menos produtivas, com características de “bicos temporários”, como empregadas domésticas, vendedores a domicílio entregadores de aplicativos e vendedores ambulantes.

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Os dados constam de um estudo inédito do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

Em condições normais, quando uma economia cresce e gera empregos – situação que, a despeito de toda a crise, tem sido observada no Brasil -, há mais investimentos em inovação, equipamentos, capacitação, e a produtividade aumenta. Em outras palavras, cada trabalhador consegue produzir mais, com menos horas trabalhadas. No Brasil, contudo, vem ocorrendo o contrario.

Pelos cálculos da FGV, a produtividade por hora trabalhada na economia ficou estagnada em 2018, quebrando uma recuperação iniciada em 2017, e passou a cair este ano. No primeiro trimestre, a queda foi de 1,1% e, no segundo, de 1,7%.

Para o pesquisador do Ibre/FGV Fernando Veloso, o movimento causa estranheza, já que, segundo ele, “a tendência natural seria esperar uma alta.”

Ainda que esteja quase estagnada, com avanço em torno de 1% ao ano desde 2017, a economia brasileira deveria registrar algum aumento da produtividade, explica Veloso. Mas, enquanto as estimativas mais recentes apontam para crescimento de 0,9% este ano, o Ibre/FGV projeta recuo de 0,8% na produtividade por horas trabalhadas.

O trabalho informal já se revelava como um dos suspeitos de ser responsável pelo fenômeno atípico.  Realizado pela pesquisadora Laisa Rachter com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), do IBGE, o novo levantamento do Ibre/FGV corrobora a hipótese: pessoas que estavam desempregadas ou que nem procuravam emprego no segundo trimestre de 2018 entraram para a informalidade neste ano ganhando, em média, metade (R$ 823,49 por mês por pessoa) do que os trabalhadores informais que já estavam em atividade (R$ 1.588,06 por mês por pessoa).

A oferta de um menor salário é característica típica de ocupações pouco produtivas. O fato de o rendimento dos novos informais ficar abaixo até mesmo do recebido por trabalhadores há mais tempo na informalidade sugere que as pessoas que estão topando entrar no mercado em 2019 estão aceitando qualquer tipo de trabalho, para contribuir com o que for possível para a renda da família, define a pesquisadora.