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Emprego com carteira assinada cresce com criação de 316,6 mil vagas em julho

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 24.01.2019: Carteira de Trabalho e Previdência Social. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 24.01.2019: Carteira de Trabalho e Previdência Social. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em julho, foi registrada a abertura de 316.580 vagas de emprego com carteira assinada no país, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (26) pelo Ministério do Trabalho e Previdência.

O saldo foi resultado de 1,656 milhão de contratações e 1,339 milhão de desligamentos no mês, de acordo com o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

A abertura de vagas formais no mês mostra uma aceleração do desempenho do mercado de trabalho.

O ministro Onyx Lorenzoni (Trabalho e Previdência) prevê que, ao fim deste ano, o país irá registrar cerca de 2,5 milhões de empregos formais.

Em janeiro foram criados 261,2 mil novos contratos e em fevereiro, 397,6 mil. A partir de março, com a alta no número de casos e de mortes de Covid-19, o resultado foi menor. Foram 176,1 mil novos postos de trabalho em março, seguidos de 116,1 mil em abril, e 275,8 mil em maio.

Junho, que teve abertura de 304,7 mil vagas, e julho aceleraram com a tendência de reaquecimento no mercado formal. O resultado de julho, portanto, é o segundo melhor do ano.

No acumulado de janeiro a julho, o saldo no mercado de trabalho formal brasileiro é positivo, com 1,848 milhão de novas vagas num período de crise provocada pela pandemia.

No mesmo período do ano passado, haviam sido fechados 1,092 milhão de empregos com carteira assinada, pois, de março a maio de 2020, por exemplo, o impacto da chegada do novo coronavírus resultou no encerramento de mais de 1,2 milhão de contratos de trabalho formais.

Ao divulgar os dados, Onyx fez um discurso contrário às medidas adotadas para conter o avanço da pandemia. “O lockdown não funcionou em nenhum lugar do mundo. Não há comprovação científica de que tenha funcionado”, disse.

Há estudos que mostram a eficácia dessa decisão em cidades e países que precisaram reduzir a contaminação da Covid-19.

Onyx, porém, insistiu em afirmar que as medidas de distanciamento social atrapalharam o desempenho da economia.

“Imagina que número estaríamos falando agora [resultado da abertura de vagas formais] se o Brasil não tivesse praticado o fecha tudo, que governadores e prefeitos promoveram ao longo do ano passado e parte deste ano”, disse.

O discurso do ministro está em linha com o do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que busca atacar governos estaduais e municipais pelo impacto da pandemia na atividade econômica.

Onyx, por outro lado, não cita qual teria sido o efeito no número de mortes se as medidas de distanciamento e isolamento social não tivessem sido adotadas no país.

“Como podemos ver aqui, trabalhar funcionou. E bem melhor que as outras alternativas”, declarou o ministro.

A pasta do Trabalho e Emprego foi recriada para acomodar Onyx, que é aliado de Bolsonaro e teve que ceder o cargo no Palácio do Planalto numa minirreforma ministerial cujo objetivo foi dar mais espaço para o centrão no governo.

Para tentar evitar demissões em massa na crise, o presidente Jair Bolsonaro editou medidas provisórias para que regras trabalhistas sejam flexibilizadas novamente diante do agravamento da pandemia.

Com isso, foi recriado o programa que permite o corte de jornada e salários de trabalhadores da iniciativa privada, além da suspensão temporária de contratos. A medida vigorava ainda em julho, mas foi encerrada em agosto.

O saldo de julho (criação de 316,6 mil vagas) reflete o desempenho positivo em todos os cinco grandes setores da economia brasileira. O resultado foi puxado pelo setor de serviços, que abriu 127,7 mil vagas de emprego no mês.

Em seguida figuram comércio (74,8 mil), indústria (58,8 mil novos postos), construção (29,8 mil) e, por último, agropecuária (25,4 mil vagas abertas).

Especialistas alertam que os dados do Caged precisam ser analisados com ressalvas desde o ano passado, quando houve mudança na metodologia.

Desde janeiro do ano passado, as informações vêm do eSocial, sistema de escrituração que unificou diversas obrigações dos empregadores. Além de reunir mais informações na mesma base de dados, o novo Caged tornou obrigatório informar a admissão e demissão de empregados temporários. Antes, essa comunicação era facultativa.

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