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Quando a entrevista esconde um 'emprego-cilada'

Foto: Getty Images

Por Eliete Oliveira*

No começo da minha carreira, vivi, como muitas pessoas, algumas experiências profissionais que não foram muito positivas. Com o passar dos anos e, principalmente trabalhando com recrutamento e seleção, passei a identificar melhor as empresas que não faziam “fit” com os meus objetivos profissionais.

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Mas no começo, passei por algumas situações difíceis. Lembro de uma entrevista em particular, com uma Gerente de RH. Após algumas perguntas sobre minha experiência profissional, ela sorriu e disse: “Tenho um defeito, sou muito exigente, algum problema para você?”. Respondi prontamente que não, afinal isso não é um defeito e sim uma qualidade.

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Hoje, lembrando daquele dia, penso que se ela tivesse dito “sou louca” no lugar de “sou exigente”, provavelmente eu não teria aceitado a proposta. Mas, como ninguém fala isso, tive que amargar um ano sofrendo assédio moral constante.

O fato é que as entrevistas dão sinais e precisamos ficar muito atentos a eles. Porém, via de regra, estamos tão preocupados em conseguir um emprego, que acabamos fazendo “vista grossa” para algumas situações. Quando alguém pergunta, por exemplo: “você está acostumado a trabalhar sob pressão? ”, significa que, no mínimo, a posição exigirá um nível considerável de resiliência.

Alguns profissionais lidam melhor com estas situações do que outros. Mas, pela minha experiência, sei que trabalhar muito tempo sofrendo altos níveis de pressão, poderá gerar uma “fatura” de doenças físicas e emocionais, que em algum momento terá que ser paga e precisamos ter consciência disso.

"A diferença entre o remédio e o veneno está na dose”

Trabalhar com um chefe exigente ou em ambientes com uma certa “pressão” é algo até natural para a maioria de nós, o problema é que quando isso é muito enfatizado em um processo seletivo, pode indicar que a dose será maior que o normal.

Por outro lado, já passei por entrevistas em empresas que poderiam ser consideradas como "ruins”, mas que no final o “pagar para ver” valeu a pena e foi uma das melhores escolhas que já fiz. Lembro de uma entrevista feita por uma Controller, que estava substituindo a Gerente de RH. A conversa foi praticamente um monólogo, no qual ela era a única a falar. Cheguei a pensar que era uma antientrevista, pelo fato dela falar mal da empresa em alguns momentos, chegando a afirmar que estava com um prejuízo de doze milhões. Qualquer um teria desistido.

Neste caso, o problema não estava na empresa e sim na profissional, por isso, tomei a decisão de entrar, afinal não iria trabalhar diretamente com ela. É importante tomar cuidado para não decidir baseado em uma única percepção, é preciso avaliar o “conjunto da obra”. Tentar perceber o ambiente, perguntar se trata-se de substituição e porque a pessoa está saindo, podem trazer informações valiosas para subsidiar a decisão.

Hoje existem sites como o “Glassdoor”, que fornecem informações sobre avaliações de profissionais que atuam ou que atuaram nas empresas e estas análises podem dar o caminho das pedras. Lembre-se que o “match perfeito” não existe, todas as empresas terão prós e contras. Como costumo dizer: sempre teremos que fazer concessões, porém existem algumas questões que são inegociáveis, principalmente aqueles que dizem respeito a nossa saúde física e emocional.

No final toda contratação é uma aposta, algumas com mais e outras com menos riscos.

*Eliete Oliveira é consultora de recolocação profissional e Top Voice do LinkedIn. No Yahoo Finanças, ela fala sobre carreira e os dilemas do mundo corporativo.