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Empregador precisa negociar com sindicato antes de demissão em massa, decide STF

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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 27.11.2019 - Sessão plenária no STF (Supremo Tribunal Federal), em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 27.11.2019 - Sessão plenária no STF (Supremo Tribunal Federal), em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu nesta quarta-feira (8), por maioria, que é obrigatório que haja uma negociação com sindicatos antes da dispensa em massa de trabalhadores.

O tribunal chegou a esse entendimento, que incidirá em processos equivalentes em todo o país, ao julgar um processo em que a Embraer questiona decisão do TST (Tribunal Superior do Trabalho).

O Supremo definiu que é imprescindível "a intervenção sindical prévia" nessas dispensas, mas que isso não deve se confundir com "autorização prévia por parte da entidade sindical ou convenção de acordo coletivo".

Embora tenha havido divergências em relação à redação dessa tese, entenderam que há necessidade dessas negociações os ministros Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Rosa Weber.

Kassio Nunes Marques e Gilmar Mendes discordaram e o presidente do STF, Luiz Fux, e o ministro André Mendonça não participaram do julgamento.

O caso concreto que chegou ao Supremo, por meio de recurso, é relacionado a uma dispensa de mais de 4.000 empregados da Embraer, em 2009.

A fabricante brasileira e a empresa Eleb Equipamentos questionaram decisão do TST que estabeleceu a necessidade de negociação coletivas em casos futuros. Segundo a corte trabalhista, nesses casos futuros, "a negociação coletiva é imprescindível para dispensa em massa dos trabalhadores".

As empresas argumentavam que essa decisão havia atribuído à Justiça do Trabalho a disciplina de um assunto que teria que ser decidido por meio de lei complementar. Também alegaram que a decisão ameaçava a sobrevivência de firmas em crise e que é contrária à livre iniciativa.

O caso começou a ser julgado no ano passado pelo Supremo, sob relatoria do ministro Marco Aurélio, que atualmente está aposentado. À época, Marco Aurélio entendeu que essa dispensa em massa não exigia negociação coletiva.

O ministro Edson Fachin divergiu e considerou obrigatória a negociação coletiva prévia para que haja demissões em massa. À época, Dias Toffoli pediu vista (mais tempo para análise) e o processo só voltou a ser julgado nesta quarta.

Sindicatos e entidades também haviam se manifestado durante o julgamento. O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (SP) defendeu a necessidade de negociação coletiva, tratada como um "avanço civilizatório" no país.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, também se manifestou de forma favorável a essas negociações.

A decisão do STF fixa jurisprudência sobre o tema, que vinha causando um vaivém jurídico em casos similares.

A CLT não previa veto ou liberação às dispensas sem negociação. Isso mudou com a reforma trabalhista, de 2017, que igualou a demissão coletiva às individuais, nas quais o empregador não precisa negociar nem comunicar o sindicato da categoria sobre as dispensas.

Mas a mudança na legislação não impediu novas ações, propostas por procuradores do trabalho e por sindicatos.

No ano passado, o Ministério Público do Trabalho havia iniciado ações contra a montadora Ford para impedir que a empresa fizesse demissões em massa enquanto negociava planos de indenização com os sindicatos. A empresa havia anunciado o encerramento da produção de veículos no Brasil.

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