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Empatia de jovens skatistas alavanca sucesso do esporte nas Olimpíadas

·4 minuto de leitura
TÓQUIO, JAPÃO, 04/08/2021: OLIMPÍADAS-TÓQUIO-SKATE - A atleta Isadora Pacheco, do Brasil, durante prova do Skate Park, realizada no Ariake Urban Sports Park, na capital japonesa, nesta quarta-feira (04). (Foto: Yuri Hiroshi/Agência Enquadrar/Folhapress)
TÓQUIO, JAPÃO, 04/08/2021: OLIMPÍADAS-TÓQUIO-SKATE - A atleta Isadora Pacheco, do Brasil, durante prova do Skate Park, realizada no Ariake Urban Sports Park, na capital japonesa, nesta quarta-feira (04). (Foto: Yuri Hiroshi/Agência Enquadrar/Folhapress)

TÓQUIO, JAPÃO (FOLHAPRESS) - No primeiro dia em que o Brasil saiu sem medalhas das disputas do skate nas Olimpíadas de Tóquio-2020, outras cenas chamaram a atenção de quem acompanhou a competição feminina de park pela televisão ou no parque de esportes urbanos de Ariake, em Tóquio.

Os abraços entre as atletas, que vibravam com a performance das outras, e o apoio demonstrado às competidoras quando sofriam quedas reforçaram uma mensagem que o skate já havia começado a passar no Japão: de quem não apenas está adaptado ao espírito de confraternização dos Jogos Olímpicos, mas entrou no programa esportivo do evento justamente para renová-lo.

Um dos melhores exemplos foi a imagem de Misugu Okamoto, 15, sendo levada nos ombros pelas adversárias após cair na última tentativa de chegar à zona do pódio.

"O skate ensinou isso para a gente. Acertando ou errando, a gente quer ir lá ajudar as pessoas, dar os parabéns. O resultado é consequência. Queríamos passar uma energia boa naquele momento", disse a paulista Dora Varella, 20, melhor brasileira na final, com o sétimo lugar.

Em oitavo terminou a catarinense Yndiara Asp, 23. Ao final da sua participação, em que caiu, ela e Dora se abraçaram na pista.

"O skate tem muito esse espírito de superação, cair e levantar. A gente sabe como é difícil acertar uma manobra, e todo o mundo ali estava tentando se superar. É por isso que a gente consegue comemorar junto e esperar o melhor de todos. Quando a pessoa não vibra nessa energia, ela não está vibrando na energia do skate", afirmou Yndiara.

Mais nova entre os brasileiros do park, a catarinense Isadora Pacheco, 16, contou que estava bastante ansiosa para a prova. Ela terminou na décima posição e não foi à final, mas comemorou ter feito duas voltas que considerou muito boas. "A última manobra eu nem tinha treinado, foi na emoção. Melhor dia da minha vida", definiu.

As três brasileiras, que são amigas, deram entrevistas juntas. Animadas mesmo fora do pódio, prometeram tatuar os anéis olímpicos, como muitos atletas costumam fazer, após a primeira participação delas e do esporte nos Jogos.

Se nas disputas do street os atritos existentes entre alguns dos representantes do país tiveram repercussão, no park essa não é uma preocupação da CBSk (Confederação Brasileira de Skate).

O companheirismo também se estende aos skatistas de outras nacionalidades. De acordo com as brasileiras, a medalhista de bronze, Sky Brown, virou frequentadora assídua do prédio ocupado pelo Brasil na Vila Olímpica.

"Ela adora estar com a gente e a gente adora estar com ela", disse Dora. "Queria pintar a unha com a gente e fazer tudo conosco. É nossa parça", brincou Yndiara.

NOVAS MARCAS E PRECOCIDADE NO ESPORTE

A estreia da participação olímpica no skate também ficará marcada pela precocidade das medalhistas.

A disputa feminina do park foi vencida pela atleta da casa Sakura Yosozumi, 19. Kokona Hiraki, 12, levou a prata, e a britânica Sky Brown, 13, ficou com a medalha de bronze.

Após o trio de medalhistas do street feminino ter batido o recorde de pódio mais jovem da história dos Jogos, com média de idade de 14 anos, o do park ocupou a segunda posição, com 14,7.

Hiraki é a medalhista mais nova de Tóquio-2020, superando a brasileira Rayssa Leal, 13, e de toda a história dos Jogos desde 1936.

Na entrevista coletiva das medalhistas, risadas entrecortadas com as respostas, brincadeiras entre as atletas e um "arigato" pronunciado conjuntamente, como que ensaiado, ilustraram esse novo ambiente que o skate levou ao esporte olímpico.

Para Yndiara, o astral trazido pelas adolescentes também ajudará a mudar a cultura e o desenvolvimento do esporte para os próximos anos. "Elas já vêm com uma cabeça mais evoluída, sem limitações, sem achar que não conseguem, que isso é coisa de menino. Elas vêm sabendo que conseguem fazer o que quiserem. A gente, querendo ou não, foi acostumada a 'só os meninos podem fazer isso', o que com certeza influencia no nível de skate."

Os investimentos do Japão na preparação dos skatistas para os Jogos em casa fazem com que o país domine o quadro de medalhas do esporte, com 5 das 9 distribuídas até agora e 3 ouros.

Nascida em Miyazaki, filha de mãe japonesa e pai inglês e moradora da Califórnia, Sky Brown optou por defender a Grã-Bretanha. Na visão dela e dos pais, assim ela poderia viver um ambiente de menos pressão por performance esportiva nessa fase da vida.

Na opinião das brasileiras, a entrada do esporte no programa olímpico elevou o nível das competições. Corresponder à altura será o grande desafio nos próximos anos.

"A gente viu que o nível está muito alto, então o que mais vamos fazer agora é treinar, para conseguir superar isso. É nosso sonho estar fazendo aquelas manobras que elas fazem, elevando o nível do skate. Bora para a próxima", concluiu Isadora.

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