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Emmanuel Macron tem algoritmo para assumir controle da Europa

Helene Fouquet e Ian Wishart

(Bloomberg) -- Em um escritório minimalista no centro de Paris, os assessores de Emmanuel Macron passaram meses calculando quais ideias do presidente francês perturbariam mais seus aliados.

Sob cartazes de eleições retrô em paredes brancas, os assessores analisam os números sobre o que mais pode enfurecer os alemães, o que pode ser feito de forma mais barata e o que chamará mais a atenção do presidente, segundo uma pessoa a par dos trabalhos.

O modelo inclui a análise do impacto de impedir a entrada de novos países na União Europeia, de restringir os direitos de viajar sem passaporte e da cooperação em defesa. Um alerta provocador sobre as falhas da OTAN dá largada à segunda fase do plano de Macron de reconstruir a UE.

Dois anos e meio depois de demolir o “establishment" francês para conquistar o Palácio do Eliseu, o presidente de 41 anos tenta consolidar sua posição como líder preeminente da UE. Frustrado em seus esforços para convencer a chanceler alemã Angela Merkel a entrar em ação, Macron decidiu embarcar na missão sozinho, e parte do grande plano é abalar estruturas ao longo do caminho.

“Ele acha que precisamos de urgência”, disse Martin Quencez, vice-diretor do escritório de Paris do think tank German Marshall Fund. “Macron acha que estamos testemunhando o começo de um mundo bipolar e quer que a Europa seja uma jogadora, não um objeto nesse jogo.”

A destruição dos símbolos sagrados da Europa irrita antigos parceiros da França. Mas também provoca debates há muito reprimidos, criando alianças inesperadas e, digamos amigos e inimigos, o que pode funcionar.

A equipe de Macron argumenta que a UE não pode mais se dar ao luxo de trabalhar com seus hábitos tradicionais de buscar consenso e mudanças incrementais. Os desafios enfrentados pelo bloco - transformações tecnológicas, migrações, mudanças climáticas e um mundo cada vez mais hostil - são grandes demais para que seus líderes continuem avançando no ritmo do membro mais lento em todas as questões.

Existem riscos e choques nas tentativas de Macron de sacudir as coisas, mas manter o status quo pode ser fatal para a UE, disse uma autoridade.

Enquanto os líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte se preparam para se reunir em Londres na semana que vem, a Rússia se tornou um elo comum em grande parte do pensamento de Macron.

Quando os antigos estados soviéticos da UE olham para o leste, veem um poder ressurgente que já desestabiliza a Ucrânia e que se prepara para agir.

Macron vê na Rússia um potencial aliado.

Se Moscou pudesse ser atraída para a órbita da Europa, e não da China, poderia ajudar a equilibrar o supercontinente da Eurásia. Macron acredita que a Rússia vai se cansar de ser a parceira júnior de Pequim e, quando isso acontecer, ele quer que a Europa esteja pronta, disse Quencez.

--Com a colaboração de Nikos Chrysoloras, Alessandro Speciale, Zoltán Simon, Milda Seputyte e Ott Ummelas.

Para entrar em contato com os repórteres: Helene Fouquet em Paris, hfouquet1@bloomberg.net;Ian Wishart em Bruxelas, iwishart@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Ben Sills, bsills@bloomberg.net, Guy Collins, Daniela Milanese

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