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Emissões podem dar salto com nova infraestrutura de gás nos EUA

Akshat Rathi e Rachel Adams-Heard

(Bloomberg) -- O acesso ao gás natural barato ajudou a reduzir o uso de carvão e as emissões de gases de efeito estufa. Mas também incentivou a construção de uma ampla infraestrutura de combustíveis fósseis ao longo da costa do Golfo dos Estados Unidos que, segundo um estudo, pode aumentar as emissões de carbono em meio bilhão de toneladas por ano.

Uma longa lista de usinas petroquímicas, terminais de gás natural liquefeito e outras instalações foi proposta ou permitida no litoral do Texas e da Louisiana, com empresas como Exxon Mobil, Phillips 66 e Qatar Petroleum em busca de gás de xisto barato de campos petrolíferos próximos. Se toda essa infraestrutura for construída, poderá elevar as emissões de carbono em mais de 500 milhões de toneladas anualmente até 2030, de acordo com estudo publicado na Environmental Research Letters. O volume equivale a cerca de 10% das emissões atuais dos EUA, ou 131 usinas que queimam carvão.

O gás natural é frequentemente promovido como um “combustível-ponte” - um substituto para o carvão e outras fontes de energia mais poluentes até que os custos de armazenar energia caiam e tornem as energias solar e eólica tão flexíveis como fonte de energia quanto os combustíveis fósseis. Mas muitos ambientalistas e especialistas em políticas argumentam que a construção de uma infraestrutura onerosa aumenta ainda mais a dependência dos EUA aos combustíveis fósseis quando as mudanças climáticas exigem uma transição rumo a fontes de energia com baixo carbono.

Embora estudos anteriores tenham estimado as emissões que ocorrem durante a produção de petróleo e gás, há menos pesquisas sobre as emissões das chamadas atividades midstream - como o transporte de hidrocarbonetos em dutos - ou downstream - como transformar frações de gás natural em plásticos. O novo estudo da Universidade do Texas em Austin conclui que até 70% de todas as emissões provenientes da infraestrutura de petróleo e gás podem vir de emissões midstream e downstream.

“O grande insight aqui é que a mudança no preço do gás natural altera os incentivos para investir em alguns tipos de infraestrutura downstream”, disse em entrevista Andrew Waxman, professor assistente da Universidade do Texas em Austin e principal autor do recente estudo.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Akshat Rathi London, arathi39@bloomberg.net;Rachel Adams-Heard Houston, radamsheard@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Simon Casey, scasey4@bloomberg.net;Aaron Rutkoff, arutkoff@bloomberg.net

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