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Emissões no exterior trazem viés de queda ao dólar

Valor

No encerramento dos negócios, a moeda era negociada a R$ 4,1659, queda de 0,23% As captações de grandes empresas brasileiras no exterior continuou a direcionar o mercado cambial nesta quinta-feira. Influenciado pela perspectiva de melhora do fluxo, o dólar cedeu terreno contra o real, praticamente ignorando o clima de maior aversão ao risco no exterior causado pelo surto de coronavírus na China.

No encerramento dos negócios, a moeda era negociada a R$ 4,1659, queda de 0,23%. O real, por sua vez, esteve entre as sete divisas que se valorizaram no pregão, contra 26 que cediam terreno.

Ontem, Bradesco e Eletrobras anunciaram captações de, respectivamente, US$ 1,6 bilhão e US$ 1,75 bilhão no exterior. A notícia faz com que participantes de mercado acreditem que outras grandes empresas brasileiras possam fazer o mesmo. "Além disso, o dólar aproveita para dar uma corrigida após esticar muito e tocar R$ 4,21", diz Victor Beyruti, economista da Guide.

“A expectativa é que, quando uma companhia brasileira faz sucesso, grandes empresas tendem a emitir também”, complementa diz Jefferson Lima, responsável pela mesa de câmbio e juros da CM Capital.

Daniel Acker/Bloomberg

Com a queda desta quinta-feira, o dólar praticamente zera o ganho acumulado na semana. Por outro lado, ele avança mais de 3,89% contra o real no ano, a maior alta entre as 33 divisas mais líquidas do mundo.

A expectativa com novas emissões pode ajudar o fluxo cambial a não repetir o rombo recorde de 2019, quando ficou negativo em mais de US$ 44 bilhões. Na semana passada, houve saída líquida de US$ 874 milhões, segundo informações do Banco Central. Assim, o saldo acumulado de 2020 ficou em apenas US$ 654 milhões.

“Para 2020, esperamos uma melhora do fluxo, influenciado principalmente pela demanda doméstica mais forte e progressos na agenda reformista e de privatizações”, diz o BTG em relatório. “Por outro lado, juros ainda baixos devem manter o fluxo em território negativo.”

Na segunda metade do pregão, o movimento foi ligeiramente limitado pela entrevista do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ao Valor. O dirigente afirmou que a inflação mais alta em 2019 "não influenciou a tendência" e que o importante é “analisar que há alguns elementos inflacionários que obviamente acabam não se incorporando aos núcleos".

Os comentários de Campos fizeram os juros futuros deixarem as máximas do dia, renovando o sentimento de que há espaço para novo corte da Selic.