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Emboscada no México mata crianças e mulheres norte americanas

SUV em chamas foi abandonada ao lado da estrada, no México. (Foto: Reprodução)

Um comboio de três carros que levava uma família de mórmons dos Estados Unidos foi atacado por criminosos no norte do México, na segunda-feira (4). Há relato de mortos, incluindo mães e crianças, e outros desaparecidos.

A suspeita é de que o ataque tenha sido realizado por integrantes de um cartel de drogas mexicano. As informações apontam que os mortos pertenciam à família americana LeBaron, fundadores de uma comunidade mórmon fundamentalista na região da fronteira entre os dois países há décadas.

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Vídeos do ataque mostram os veículos em chamas, indicando que vítimas podem ter sido queimadas vivas. Os relatos da quantidade de vítimas variam: foram três mulheres e seis crianças, de acordo com o “New York Times”. Já a mídia mexicana publicou que são três mulheres e nove crianças. Ainda há desaparecidos, e buscas têm sido feitas para encontrá-los.

A mídia mexicana também trabalha com a hipótese de o cartel ter confundido o comboio dos mórmons com criminosos rivais.

O comboio, que levava 3 mães e suas 14 crianças, partiu da cidade de Bavispe, no estado mexicano de Sonora, com destino a La Mora, no estado vizinho de Chihuahua. A emboscada aconteceu ainda em Bavispe.

Uma SUV em chamas foi localizada abandonada ao lado da estrada e familiares das vítimas apontam que uma mulher, identificada como Rhonita Miller LeBaron, e seus quatro filhos (2 irmãos gêmeos de 6 meses, uma criança de 6 anos e outra de 10) estavam no veículo. Relatos também indicam que as duas mulheres e outras 10 crianças foram mortas durante a fuga.

Familiares indicam que uma mulher e quatro filhos foram mortos dentro do veículo. (Foto: Reprodução)

As autoridades policiais do estado de Chihuahua, no México, alegam que o número oficial de mortos ainda é “confuso”, com familiares definindo em 9, enquanto a mídia aponta 12 mortes. Uma investigação cooperativa entre os estados de Sonora e Chihuahua foi estabelecida, sendo que a vigilância na região do massacre foi reforçada.

QUEM SÃO AS VÍTIMAS?

As vítimas são membros de uma comunidade chamada Colonia LeBaron, fundada por um grupo mórmon separatista na primeira metade do século 20, depois que a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias nos EUA começou a reprimir a poligamia.

A comunidade agora inclui mórmons e católicos que se estabeleceram lá. Os membros são conhecidos por enfrentarem as quadrilhas de traficantes locais e denunciarem sobre os altos níveis de violência do cartel.

POR QUE ELES TERIAM SIDO ATACADOS?

Embora a mídia local tenha dito que o comboio de carros pode ter sido confundido com o de uma gangue rival, a comunidade de LeBaron foi alvo dos cartéis no passado. Em 2009, Erick LeBaron foi sequestrado e pedido um resgate. A comunidade tomou uma posição e disse que não pagaria por sua libertação, pois isso apenas encorajaria futuros sequestros.

Erick LeBaron acabou sendo libertado sem pagamento de resgate. Mas meses depois, seu irmão Benjamin, que liderou a campanha pela libertação de Erick em LeBaron, foi espancado até a morte. O cunhado de Benjamin também foi morto.

QUEM DISPUTA A ÁREA?

Esta área do norte do México está sendo disputada por duas gangues rivais, La Línea, que tem ligações com o maior cartel de Juárez, e "Los Chapos", que faz parte do cartel de Sinaloa.

Em 2010, Julian LeBaron publicou um artigo no The Dallas Morning News pedindo que os mexicanos se levantassem contra o crime organizado.

No passado, a comunidade Colonia LeBaron exigia a permissão de criar sua própria força de segurança.

com informações da BBC e NY Times.