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Embate entre Bolsonaro e Maia atinge a Bolsa

A briga política travada entre o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já atinge o Ibovespa (Fátima Meira/Futura Press)

A briga política travada entre o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já atinge o Ibovespa,  principal índice do mercado acionário brasileiro. E nos próximos dias,a reforma da Previdência será a pauta que definirá  o posicionamento do pequeno investidor por manter, vender ou comprar ações daqui para frente, segundo informações da Folha de S. Paulo.

“A situação da reforma é muito mais frágil do que o mercado imaginava. A piora foi muito rápida”, afirmou à Folha Victor Candido, economista-chefe da Guide Investimentos.

Antes de despencar do recorde de quase 100 mil pontos para os atuais 93 mil, investidores tinham a sensação de que a Bolsa brasileira iria em uma linha reta de valorização.

Porém, especialistas projetam que Ibovespa poderá terminar o ano ao redor de 110 mil pontos. Isso significaria uma valorização de 25% no ano e de 17% ante o fechamento de sexta. Para isso, no entanto, é preciso de que reforma da Previdência seja aprovada.

Projeções otimistas chegaram a apontar o Ibovespa em 140 mil pontos em dezembro. Após a proposta de reforma dos militares, a queda de popularidade de Bolsonaro e a prisão do ex-presidente Michel Temer (MDB), o mercado financeiro começou a questionar a viabilidade de aprovação das novas regras para a aposentadoria. Hoje, a principal dúvida é sobre a economia necessária —o projeto prevê corte de R$ 1,1 trilhão em dez anos.

Há receio de que a disputa política coloque tudo a perder, cenário que  trouxe à tona declarações de economistas e analistas do mercado financeiro, em público e privado, até mesmo com comparações entre Bolsonaro e a ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Enquanto isso, no sábado, Bolsonaro e Maia continuaram o bate-boca sobre a responsabilidade de articulação da reforma.

Para o presidente, seu papel está cumprido ao submeter o texto ao Congresso, enquanto Maia afirma que há terceirização de responsabilidade.

Na quarta, o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) sinalizou que a desaceleração americana já justifica a manutenção dos juros do país entre 2,25% e 2,5%.

A possível crise apareceu na inversão da curva de juros dos EUA – quando os juros de longo prazo ficam abaixo dos de curto prazo. Isso indica que a economia do país passará por uma recessão, com risco de contágio, independente da reforma da Previdência.

Para quem já é investidor, as aplicações devem mirar longo prazo. Já comprar  é para quem acredita que a desvalorização recente não se sustentará e que a Bolsa agora está barata. Vender é opção para quem enxerga uma piora de longo prazo na economia. Manter será o caso do investidor que não se dispõe a correr mais riscos,  mas vê melhora na economia a longo prazo.