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Em Volta Redonda, bebê deve nascer no dia em que a morte do pai completa dez anos

Marjoriê Cristine
·4 minutos de leitura
Samille Simões Landim e o filho, Pietro, de 9 anos, no ensaio de grávida feito do bebê gerado pelo marido morto

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Samille Simões Landim e o filho, Pietro, de 9 anos, no ensaio de grávida feito do bebê gerado pelo marido morto

RIO — Em 2011, Cleberton Cássio Landim morreu aos 32 anos, vítima de um tumor cerebral. Exatamente dez anos depois, no dia 13 de fevereiro de 2021, está previsto o nascimento de seu filho ou de sua filha caçula. O bebê se chamará Enrico ou Maria e só foi possível após a mãe, a empresária Samille Simões Parreiras da Silva Landim, de Volta Redonda, no Sul do Rio, travar uma batalha na Justiça.

Os últimos nove anos e meio foram de muitos desafios para Samille. Antes de Cleberton morrer, o casal tentou ter filhos e optou por inseminação e fertilização. Sem sucesso, resolveram congelar embriões. Em meio à luta pela vida do companheiro, inesperadamente, Samille engravidou de forma natural de Pietro, que hoje tem 9 anos.

O menino não chegou a conhecer o pai, que morreu ainda durante a gravidez da mulher. Mas o desejo de ampliar a família fez a empresária tentar conseguir autorização na Justiça para implantar os embriões que ainda restavam. Após quase dois anos, ela, enfim, conseguiu realizar o último sonho do marido.

— Vejo como um renascimento. Eu tinha uma fase para encerrar. Fiz uma promessa quando meu marido morreu, por isso, não deixaria os embriões congelados para trás. Está previsto para nascer a partir do dia que meu marido morreu. Talvez, ele venha justamente para não ficarmos mais tristes nessa data — afirma Samille, de 33 anos, que está grávida de quatro meses.

Felicidade de Pietro

A felicidade da mãe só não é maior que a do filho. Pietro sempre pediu um irmãozinho e suas preces serão, finalmente, atendidas. O menino, que é o melhor amigo de Samille e seu companheiro inseparável, gosta de conversar com o bebê todos os dias, canta música, cria diálogos imaginários e não esconde a euforia de poder ver o novo membro da família o mais rápido possível.

— O Pietro está muito feliz. Fica perguntando toda hora se o bebê já vai nascer, diz que quer que ele venha logo para poder brincar e jogar com ele. Eu comprei uma escuta para ele poder ouvir o coração do bebê. Ele conversa, cria diálogos em que ele mesmo pergunta e responde. Quer saber se o irmão está chutando, fora o futebol. Ele ama futebol, e torcedor do São Paulo, como o pai, e está louco para ver os jogos com o irmão ou irmã que irá chegar — conta a empresária.

A implantação dos embriões aconteceu em junho. Apenas dois dos três embriões foram implantados, porque um não desenvolveu. No entanto, um novo percalço no seu caminho: Samille teve um forte sangramento quatro semanas após a cirurgia e precisou ser hospitalizada. Foi então que teve um aborto, o segundo durante essa trajetória, e achou que seu mundo havia desabado e, o sonho se encerrado. Mas ao fazer um novo ultrassom descobriu que ainda tinha um bebezinho, e a esperança retomou à sua vida.

— Foi um bálsamo. Fiquei de repouso absoluto por um mês, só saía para ir às consultas e realizar ultrassom. Graças a Deus, ele se desenvolveu e está firme e forte. Fiz um chá revelação e descobrimos que seria um menino. Mas no meu exame de sexagem apareceu uma observação falando que o cromossomo do feto abortado por permanecer no organismo por até 20 semanas. Então, ainda não temos certeza. Mas o que vier estamos feliz, sendo a Maria ou o Enrico — fala.

Hoje, Samille e Pietro festejam a chegada do novo ou nova membro da família. Nesses quase dez anos, Samille teve outros relacionamentos, mas está há três anos solteira. Um dos motivos é justamente porque nunca escondeu que teria um filho do marido morto, o que sempre causou ciúmes em outros companheiros.

— Casei com o amor da minha vida. Depois que ele morreu, namorei, conheci pessoas, mas sempre comparo com o Cleberton, porque ele sempre foi um ótimo marido. Me apaixonei por ele quando eu tinha 10 anos, ele tinha 19. Dei meu primeiro beijo nele, aos 12, mas só namoramos quando eu tinha 16. Os novos relacionamentos eram complicados. É difícil aceitar que eu queria um filho do meu marido. Eu não iria abrir mão. Não estava pronta para me relacionar com ninguém. Isso era algo que precisava resolver e seguir adiante. O desfecho que Deus e a gente queria.