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Em um ano e quatro meses, polícia prendeu pelo menos nove pessoas que se passaram por médicos no estado

·7 min de leitura

RIO - Assim como a biomédica Ana Carolina Almeida Campos, falsa médica presa em flagrante por falsidade ideológica e uso de documento falso, quando dava consulta a uma agente que se passou por paciente, pelo menos nove pessoas que se passaram por médicos também foram presas no estado em quase um ano e quatro meses.

Estudantes de Medicina, pessoas que sequer concluíram a graduação e que usavam nomes e CRMs de outros profissionais. Esse é o perfil da maioria dos falsos médicos.

A biomédica Ana Carolina Almeida Campos realizava procedimentos invasivos, além de usar o carimbo de um médico para prescrever exames, segundo investigaram policiais civis da Delegacia de Defraudações, responsáveis pela prisão.

O boliviano Iver Luis Corcuy Peredo, de 48 anos, preso em flagrante no último dia 21 de agosto, também utilizava carimbo de um profissional. Ele foi preso, quando atuava como médico no PAM de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, solicitando exames e fazendo prescrições como ortopedista com o carimbo do profissional Douglas Jeferson de Freitas, que atendia na unidade.

Ele foi indiciado por exercício ilegal da medicina e por falsificação de documento público. Iver se apresentava como estudante de medicina e já havia sido preso em 2015 pelo mesmo crime.

A estudante de Odontologia Nathiely da Silva do Nascimento, de 20 anos, foi presa no último dia 19 de agosto no Hospital municipal Miguel Couto, na Gávea, Zona Sul do Rio. Em seu perfil nas redes sociais, Nathiely se apresentava como médica especialista em ortopedia e traumatologia da unidade e chegava a compartilhar entre os seguidores elogios ao seu trabalho, além de uma falsa rotina como especialista, com fotos dando plantões, usando jaleco com seu nome e segurando um estetoscópio.

Ela é suspeita de ter entrado no hospital com um crachá falso e foi surpreendida na cantina do local. Na rede social, Nathiely também postava fotos de guias médicas com prescrição de medicamentos onde constava o carimbo com o nome da jovem. A estudante postava fotos com a guia, estetoscópio, carimbo e uma caneta em cima, sugerindo que estava trabalhando.

Dia 14 de julho, a Polícia Civil prendeu em flagrante uma mulher que se passava por outra médica no Hospital Prontonil, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ela usava o carimbo da médica Bruna Carolina Rodrigues, que trabalha em um hospital municipal de Duque de Caxias. A mulher foi identificada como Bruna Carla de Oliveira Sozim e atuava como plantonista. Ela teve a liberdade provisória concedida pela Justiça.

A médica que teve seu "nome roubado" descobriu que o carimbo com seu CRM estava sendo usado num hospital particular de Nova Iguaçu a partir de uma denúncia anônima e foi ao local conferir. Ela gravou um vídeo flagrando Bruna Carla atuando com suas credenciais. Bruna Carolina Rodrigues, a verdadeira, trabalha como médica intensivista no Hospital Municipal São José, em Duque de Caxias.

Bruna Carla foi presa em flagrante por falsidade ideológica e exercício ilegal da medicina. Em nota, o Hospital Prontonil chegou a afirmar que Bruna Carla de Oliveira Sozim nunca fez parte do corpo clínico, e que também foi vítima dela, já que ela utilizava a documentação de outra pessoa.

Em junho, um homem foi denunciado por uma paciente no Hospital municipal de Belford Roxo, também na Baixada, por ter usado o carimbo de uma médica. Ele era estudante de medicina e estaria atuando sob supervisão da médica por falta de profissionais na unidade.

O falso médico Itamberg Oliveira Saldanha foi preso em flagrante dia 18 de maio na UPA de Realengo. Ele era suspeito de atender ao menos em outras três unidades de saúde do Rio: UPAs de Marechal Hermes, Ricardo de Albuquerque e Bangu.

De acordo com a 12ª DP (Copacabana), Itamberg usava o nome e o registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) do médico Álvaro Pereira de Carvalho. Segundo dados do Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde (CNES), Itamberg utilizava os dados de Álvaro ao menos desde setembro do ano passado, quando consta que o médico foi contratado em duas UPAs, as de Realengo e Bangu - unidades nas quais o verdadeiro médico nunca trabalhou.

As investigações da Polícia Civil tiveram início após Álvaro ter procurado a delegacia para relatar que um homem estava usando seu nome e CRM na UPA de Realengo, atuando como falso médico. No momento da prisão, os agentes encontraram com Itamberg um carimbo com os dados do verdadeiro médico. O falso médico atendia na sala amarela, na ala de pacientes com Covid-19, e chegou a ser vacinado contra a doença no lugar de Álvaro.

Aos policias, informalmente, Itamberg relatou que estudou medicina na Universidade Gama Filho até o 6º período. No entanto, acabou ficando sem dinheiro para custear os estudos, deixando de frequentar a universidade. Ele admitiu não ser médico. O falso médico foi autuado em flagrante pelos crimes de tentativa de estelionato, falsa identidade e exercício ilegal da medicina.

Dia 30 de abril, a Polícia Interestadual (DC-Polinter) prendeu Valéria dos Santos Reis, a parceira da falsa médica conhecida como "Paty Bumbum". Juntas, elas realizavam procedimentos estéticos em clínicas clandestinas e em hotéis, sem as condições sanitárias necessárias. Detida na padaria da qual é dona, a mulher foi capturada em Itaguaí, na Baixada, em cumprimento a um mandado de prisão preventiva pendente desde 2018. Ela responderá pelos crimes de homicídio qualificado, exercício ilegal da medicina e associação criminosa.

Segundo as investigações, as autoras utilizavam silicone industrial, que era aplicado no bumbum, seios e em outras regiões das vítimas. Uma delas, a modelo Mayara Silva dos Santos, morreu em julho de 2018, após ter sido submetida a um procedimento estético com essas substâncias, em um hotel no Rio de Janeiro.

Dia 5 de abril, Bianca Castelo Lopes, de 33 anos, foi presa por policiais da 58ª DP (Posse) num posto de saúde em Imbariê, Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Segundo a polícia, Bianca é farmacêutica e estudante de Medicina, mas trabalhava indevidamente como médica na unidade desde fevereiro. Antes, ela havia atuado da mesma forma no Hospital Moarcyr do Carmo, também em Caxias. Os policiais que abordaram Bianca verificaram que ela usava o carimbo e a assinatura de uma médica.

Ano passado, um falso médico que atuava em hospitais dos municípios de Valença, Mendes, Volta Redonda, Piraí e Barra do Piraí, no sul do Estado do Rio, foi preso, dia 9 de outubro, por policiais da 91ª DP (Valença). Ele foi localizado pelos agentes trabalhando no Hospital Escola de Valença e autuado em flagrante por falsidade ideológica, lesão corporal, exercício ilegal da medicina, uso de documento falso e falsa identidade.

Segundo as informações, ele usava os dados e documentos de um médico, atualmente residente em Goiás, mas também se apresentava como tenente do Exército Brasileiro, inclusive com documentos pertinentes e fardamento. As investigações revelaram que o acusado se aproveitou da pandemia da Covid-19 e da escassez de médicos e se apresentou ao Hospital Escola de Valença como médico cirurgião e intensivista, usando a identidade do militar para cobrir plantões vagos no Hospital Escola.

Um dos pacientes teve a perna amputada pelos cuidados médicos equivocados, inclusive cirúrgicos, e a prescrição de remédios não correspondentes à gravidade do ferimento do homem. A vítima teria se acidentado com um vergalhão, vindo a necrosar a perna direita, o que motivou a amputação.

Também ano passado, dia 30 de junho, policiais da 24ª DP (Piedade) prenderam um falso médico suspeito de estuprar pacientes durante procedimentos estéticos realizados em um consultório localizado na Abolição, na Zona Norte do Rio. Segundo informações da Polícia Civil, Leonardo de Souza Pimentel, de 38 anos, aliciava as vítimas na rua, se apresentando como médico esteticista e oferecia a realização de procedimentos por preços acessíveis.

Já no consultório, as vítimas recebiam injeções e ficavam entorpecidas, sem conseguirem se defender ou reagir. Nesse momento, segundo as investigações, Leonardo estuprava as vítimas.

Segundo os relatos das vitimas à Polícia Civil, Leonardo realizava preenchimento facial e labial, aplicava botox e ainda injetava silicone industrial nos glúteos das pacientes. Ele chegava a realizar os procedimentos e só em seguida abusava das pacientes. O falso médico foi indiciado pelos crimes de estupro de vulnerável, exercício ilegal da medicina e crimes contra a saúde pública e teve a prisão decretada pela Justiça. Leonardo foi preso em seu próprio consultório.

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