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Em três anos, Rio perdeu a área de duas Urcas com desmatamento feito por milicianos para construção, diz estudo

·2 min de leitura

RIO — Um corte profundo na encosta dá a dimensão da destruição numa área de proteção ambiental para erguer ilegalmente o Viva Verde Residencial, na Rua Soldado Antônio da Silveira, no Rio da Prata, em Campo Grande. A obra continua paralisada, desde que a Secretaria municipal de Meio Ambiental (Smac), com o apoio da Polícia Militar (PM), realizou operação, em 23 de setembro, pondo abaixo o que estava pronto. O terreno está cercado, com cadeado e vigia. Levantamento inédito da Smac, a partir de dados de satélites disponíveis, revelam o tamanho do estrago promovido especialmente por milicianos e narcomilicianos na cidade para erguer empreendimentos: de janeiro de 2017 a janeiro de 2020, o Rio perdeu 497 hectares em áreas verdes — 4,97 milhões de metros quadrados, equivalentes a duas Urcas — que deveriam estar preservadas.

Campo Grande, Guaratiba, Santa Cruz e Paciência, todos na Zona Oeste, são os bairros mais afetados. Para tentar frear a ação de grupos criminosos, este ano a Smac passou a realizar ações focadas em áreas onde estão os maiores problemas da cidade, subsidiadas por denúncias da central 1746, autos da Patrulha Ambiental em suas rotinas e levantamento dos escritórios técnicos da pasta. Desde o início do ano, foram feitas mais de 70 operações, 54 delas de grande porte. A estimativa do órgão é de que, até agora, o prejuízo dado aos grupos criminosos seja de pelo menos R$ 374,28 milhões. Tal cálculo foi feito a partir de investimentos feitos e de futuros lucros, considerando plantas de empreendimentos encontradas.

— Se a prefeitura conseguiu, em pouco mais de nove meses, provocar um impacto de mais de R$ 374 milhões, qual é o tamanho dessa indústria? São grupos criminosos, poderosos e organizados. — diz o titular da Smac, Eduardo Cavaliere, que passa uma mensagem àqueles que pensam em comprar um imóvel: — Não invistam dinheiro nesses loteamentos. Como é o modus operandi desses grupos? Eles protocolam na prefeitura um pedido de legalização, que mostram para pessoas interessadas em comprar. Dizem que vão legalizar. Só que esses loteamentos são ilegalizáveis.

Leia aqui a íntegra da reportagem exclusiva para assinantes.

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