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Em teste no BR, vacina de Oxford é melhor candidata contra coronavírus, diz OMS

Fidel Forato

Na corrida global por uma vacina contra a COVID-19, o imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, deve aparecer entre as primeiras no pódio, pelo menos essa é a aposta da Organização Mundial da Saúde (OMS). Nesta sexta-feira (26), a OMS comentou que a ChAdOx1 nCoV-19, vacina produzida por Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, é a "mais avançada" do mundo "em termos de desenvolvimento".

A boa notícia é que essa potencial fórmula contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2) já está sendo testada em humanos no Brasil e também na África do Sul, depois de testes iniciais positivos no Reino Unido. Além dessa vacina, a cientista-chefe da entidade, Soumya Swaminathan, defendeu que a pesquisa da norte-americana Moderna "não fica muito atrás" do estágio de desenvolvimento da AstraZeneca.

Testada no Brasil, vacina de Oxford para a COVID-19 é aposta da OMS (Imagem: Tania RegoAgencia Brasil)

Testes de vacina

No mundo, cerca de 200 outras vacinas são testadas para imunização contra a COVID-19. Incluindo muitas versões em produção na China. Sobre elas, a OMS afirmou que está em contato com essas fabricantes também para acompanhar o desenvolvimento de seus trabalhos.

No Brasil, os testes da vacina contra o novo coronavírus, desenvolvida por Oxford, começaram na semana passada e são liderados pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Conforme foram anunciados, dois mil voluntários participarão da testagem em São Paulo, além de outros mil no Rio de Janeiro. Até setembro essa etapa da pesquisa deve ser concluída, segundo a AstraZeneca, para então se iniciar a produção, em larga escala.

No cenário nacional, o Instituto Butantan fechou uma parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac Biotec para testar uma vacina contra a COVID-19. Nesse processo, nove mil voluntários testarão a fórmula a partir de julho no país. Caso a eficácia seja atestada, o Butantan deve receber a transferência de tecnologia para produzir nacionalmente a vacina.

Questão de acesso

Na ocasião, o diretor-executivo da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, também reforçou a importância de ações para conter a pandemia: "Está claro que, para controlar a COVID-19 e salvar vidas, precisamos de vacinas, diagnósticos e terapias eficazes, em volumes sem precedentes e em uma velocidade sem precedentes... E está claro que, como todos podem ser afetados pela COVID-19, todos devem ter acesso a todas as ferramentas de prevenção, detecção e tratamento, e não apenas àqueles que podem pagar por elas".

Aproximadamente US$ 31,3 bilhões (cerca de R$ 171 bilhões) serão necessários para desenvolver testes, vacinas e tratamentos eficazes para a COVID-19, estima a OMS. Com esses fundos, seria possível o desenvolvimento e distribuição de 500 milhões de testes e 245 milhões de tratamentos em países de baixa e média renda até meados de 2021. Além disso, 2 bilhões de doses de vacina seriam distribuídas em todo o mundo, sendo metade destinada para países de baixa e média renda até o final de 2021.

"É um investimento que vale a pena fazer. Se não nos mobilizarmos agora, os custos humanos e as repercussões econômicas vão piorar" afirma a economista nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala. "Embora esses números pareçam importantes, não são quando pensamos na alternativa. Se gastarmos bilhões agora, podemos evitar gastar milhares de bilhões depois. Precisamos agir agora e juntos", completa.

 


Fonte: Canaltech