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Em sua terceira Olimpíada, Jaqueline Ferreira chegou a ouvir da família que levantamento de peso não era 'coisa de menina'

·3 minuto de leitura

Aos 34 anos, Jaqueline Ferreira acumula inúmeros troféus de competições mundo afora. Nascida e criada em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, ela representa o Brasil numa Olimpíada pela terceira vez e é uma das apostas no levantamento de peso nos Jogos de Tóquio. Ela está na categoria 87kg feminina, e concorre na noite deste domingo, dia 1º de agosto. Mas, para chegar aonde chegou, o caminho não foi fácil. E ela precisou enfrentar até mesmo a resistência da família, que dizia que a modalidade não era "coisa de menina".

— No início, eu comecei a implicar, depois fui me acostumando, e foi só orgulho — lembra a mãe da atleta, Gilda Ferreira, de 65 anos, que ainda fica agoniada de assistir à filha levantando tanto peso mesmo depois de todos esses anos competindo: — Eu fecho o olho e só abro depois que eles botam aquela buzina, porque dá muito nervoso.

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Jaqueline começou sua carreira no esporte ainda na época das aulas de Educação Física, na Escola Municipal Jornalista Moacyr Padilha, em Duque de Caxias, onde estudou. Ela começou no atletismo, treinando na Vila Olímpica do município da Baixada Fluminense, e só depois migrou para o levantamento de peso.

Foram os professores da escola onde Jaqueline estudou que conseguiram convencer Gilda de que a menina, à época com 12 anos de idade, tinha futuro no esporte.

— A diretora me chamou para uma reunião e falou que ela tinha possibilidade de ser uma atleta. Conversou muito comigo, porque eu estava rejeitando. Jaqueline quando era criança subia em tudo, jogava bola. Era uma menina ativa. Era para ser mesmo uma atleta — conta a mãe.

A insistência e a perseverança da jovem no esporte a levaram longe. Jaqueline coleciona uma série de troféus e medalhas e já competiu em diversos países. Na Olimpíada de Londres, em 2012, ficou em quinto lugar em sua categoria. Agora em Tóquio, ela compete na noite deste domingo, dia 1º de agosto, às 23h50 (horário de Brasilia).

E o levantamento de peso, que para a família dela não era “coisa de menina”, tem nos Jogos de Tóquio, pela primeira vez, igualdade numérica de gênero entre os atletas na edição de Tóquio: 98 homens e 98 mulheres, divididos em suas categorias (a de Jaqueline é de 87kg).

— Ela nunca se deixou abater por um “não” do meu pai nem da minha mãe. A gente estranhava porque parece que o Brasil não dá importância a esse esporte, então ele é pouco divulgado. Mas, aos poucos, até mesmo com o desenvolvimento da Jaqueline, a gente foi conhecendo melhor, tomando gosto, apreciando. Porque ela gosta muito, é o prazer dela. Então a gente começou a se acostumar, mas foi um pouco difícil — conta a irmã da atleta, Aline Ferreira.

Jaqueline é inspiração para novas gerações de sua família. O sobrinho mais velho, Rikelme, de 19 anos, joga futebol pelo Duque de Caxias Futebol Clube, e a sobrinha mais nova, Ariane, de 7, está aprendendo ginástica olímpica.

— Ninguém imaginava vê-la indo tão longe. Ela não teve incentivo, porque meu pai e minha mãe nunca foram de incentivar. E foi mérito dela mesmo, se esforçando. Para Jaqueline chegar a essa Olimpíada agora foi muito sacrificante. Foi lesão, a pandemia, a perda do nosso pai há três anos... Isso influencia muito dentro da família. Mas graças a Deus superamos, e ela chegou onde chegou — comemora Aline.

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