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Em semana de recordes, BC atua e dólar fecha abaixo de R$ 4,30

Marcelo Osakabe e Victor Rezende

Ainda assim, os investidores seguem preocupados e monitorando o comportamento da moeda americana Com a segunda queda diária consecutiva, o dólar comercial interrompeu uma sequência de altas semanais que vinha se arrastando desde o fim de 2019. O principal gatilho para alívio no câmbio veio do leilão de swap cambial efetuado durante a manhã, o que foi visto por analistas como uma resposta do Banco Central ao mercado após pressões que fizeram a moeda americana se aproximar de R$ 4,40 durante a semana.

Hoje, o dólar comercial fechou em baixa de 0,79%, aos R$ 4,2997, levando a uma queda semanal de 0,47%. Foi a primeira baixa acumulada em seis semanas, desde os últimos dias de dezembro.

Os economistas do BNP Paribas notam que, desde 2007, o dólar engatou uma sequência de seis semanas consecutivas de alta apenas em quatro ocasiões. A mensagem deixada pela intervenção é que o Banco Central está atento à escalada recente da moeda americana contribuiu para uma estabilização da cotação no país.

Dólar dispara para R$ 4,38 e BC intervém

“A intervenção finalmente aconteceu. A ação desta semana não foi surpreendente para nós e o mercado a antecipou até certo ponto”, disseram estrategistas do Citi em relatório enviado a clientes. Para eles, o leilão de swap de hoje foi uma resposta ao mercado, que teria “testado a determinação” da autoridade monetária ao tentar levar o dólar a um fechamento estável ontem, apesar da primeira intervenção. “No mínimo, o real não é mais um hedge óbvio para risco em outros ativos emergentes”, diz o Citi.

Na avaliação do economista-chefe do UBS Brasil, Tony Volpon, a oferta de um lote novo de swap indica uma mudança na política cambial do BC, que até o ano passado optou por reduzir o estoque da ferramenta para permitir a venda de dólares à vista e, assim, manter inalterada a posição líquida em reservas internacionais. Volpon alerta para o risco de que o BC se veja chamado a ampliar o uso da ferramenta e, com isso, diminua o tamanho das reservas pela própria métrica adotada.

Ao comentar sobre a necessidade de um programa de swap, com maior volume e duração como em outras ocasiões, Volpon acredita que tudo dependerá do fluxo de notícias. “Talvez o BC tenha que anunciar algo mais sistemático do que intervenções pontuais. Ainda não estamos próximos do nível de volatilidade que levaria o BC a fazer algo sistemático”, afirma o economista do UBS, que já foi diretor de Assuntos Internacionais da autarquia.

Apesar dos leilões de swap cambial, o economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, William Jackson, acredita que, apesar do real poder recuperar terreno no curto prazo, “a moeda se enfraquecerá ao longo do ano”, tendo em vista que há sinais de um crescimento econômico mais lento, enquanto a taxa básica de juros continua nas mínimas históricas. Além disso, a consultoria inglesa aponta para o aumento do déficit em conta corrente, o que sugere que o real estava “começando a parecer supervalorizado”.

Dessa forma, a Capital Economics vê pouca justificativa para a visão do consenso de que o real terminará o ano muito mais forte do que os níveis atuais. Assim, a consultoria alterou sua projeção e, agora, espera que o dólar termine 2020 em R$ 4,50 ante uma estimativa anterior de dólar a R$ 4,25.

Já a equipe de macroeconomia do Santander, liderada por Ana Paula Vescovi, escreve, em relatório enviado a clientes, que a pressão sobre a taxa de câmbio deve ficar menos intensa, mas avalia que “a deterioração dos termos de troca e o estreitamento diferencial da taxa de juros reduzirão a extensão desse momento”. Na mesma toada, o Santander revisou sua estimativa para o dólar no fim deste ano de R$ 4 antes para R$ 4,10 agora.

Tomohiro Ohsumi/Bloomberg