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Em revisão de cenários, três bancos ajustam para cima expectativa de inflação em 2020

Arícia Martins e Victor Rezende
·7 minutos de leitura

Em comum, Bradesco, Bradesco BBI e BTG Pactual esperam um desempenho forte da economia no terceiro trimestre deste ano e alertam para a questão fiscal Três instituições financeiras divulgaram hoje revisões de cenário para a economia brasileira. Enquanto Bradesco e BTG Pactual mantiveram as perspectivas para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) neste e no próximo ano, assim como para a Selic, mas ajustaram para cima as estimativas para a inflação de 2020, o Bradesco BBI mudou todas essas projeções. A percepção é de que a retomada será forte no terceiro trimestre, mas ainda há muitos riscos em relação a 2021, relacionados principalmente ao comportamento do consumo e à incerteza sobre a sustentabilidade das contas públicas. Bradesco Em relatório, a equipe econômica do Bradesco afirma que os indícios de retomada forte da economia se mantiveram no terceiro trimestre, ainda que em ritmo desigual entre os setores. O banco manteve a perspectiva de queda de 4,5% do PIB em 2020, seguida da expansão de 3,5% em 2021. “Ainda que em velocidades distintas, indústria, varejo e serviços seguem avançando”, observam os economistas. O destaque entre os ramos de atividade é o varejo restrito (cujas vendas não incluem automóveis e material de construção), avalia a instituição, segmento que já retornou ao nível pré-crise de 2015. O nível de utilização da capacidade instalada na indústria também estaria próximo desse patamar de acordo com as sondagens do setembro, acrescenta o Bradesco. O avanço dos serviços, por fim, ainda é lento, mas consistente. Para o banco, a velocidade de crescimento deve sofrer acomodação no último trimestre. “Olhando para 2021, a recuperação do mercado de trabalho segue sendo a principal condição para a suavização do consumo à medida que parte dos estímulos forem retirados”, dizem os economistas, para quem o ritmo da atividade no próximo ano, especialmente no primeiro semestre, dependerá de uma série de fatores. Em relação à inflação, a retomada em duas velocidades vem gerando pressões pontuais, apontam os economistas do Bradesco. Eles revisaram de 1,9% para 2,4% a estimativa de alta para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2020, devido à aceleração dos alimentos no curto prazo. Para 2021, o número foi mantido em 3,1%, “reconhecendo riscos altistas, em especial da incerteza quanto à formação de preços de serviços e do potencial realinhamento de preços administrados”. Segundo o Bradesco, a manutenção do teto de gastos é a principal condição para que o cenário da instituição se concretize, e a sustentabilidade fiscal continua sendo relevante fator de risco. Os economistas da instituição esperam que o déficit primário do governo central fique em cerca de R$ 860 bilhões este ano, o equivalente a 12,4% do PIB. “Tal deterioração do cenário fiscal de 2020 leva à necessidade de maior esforço de gestão da dívida pública, que deverá alcançar patamar próximo a 100% do PIB ao final de 2020.” Por fim, o banco manteve suas estimativas para a taxa Selic, que deve permanecer em 2% ao ano até meados de 2021 e terminar 2022 em 3% anuais. A previsão para a taxa de câmbio também não sofreu alterações: nas projeções do Bradesco, o dólar terminará 2020 e 2021 cotado a R$ 5,20. “Acreditamos que a retomada da atividade, juntamente com um ambiente favorável para os termos de troca do país, dará respaldo para a manutenção da taxa de câmbio em R$ 5,20, mesmo em meio a um elevado nível de volatilidade, sobretudo no curto prazo”, explica a equipe econômica. Bradesco BBI Em relatório enviado a clientes, os economistas do Bradesco BBI revelaram revisões em suas projeções macroeconômicas e, agora, passaram a esperar uma queda de 5,4% do PIB neste ano. Antes, a expectativa do banco era de um tombo de 6%. “Com todo o quadro de indicadores já divulgado, pensamos que um número um pouco melhor era necessário, uma vez que todas as evidências sugerem um forte crescimento no terceiro trimestre”, afirmam. Para o BBI, o PIB do período entre julho e setembro deve contemplar uma expansão de 7% e o do quarto trimestre deve crescer 1,8%. Embora tenha revisado suas projeções para o PIB deste ano, o cenário básico dos economistas do BBI continua a contemplar um crescimento de 2,5% em 2021. “O grande desafio para nós é elaborar um cenário para 2021”, dizem os economistas Dalton Gardimam, Ricardo Mauad e Bernardo Keiserman, ao notarem duas forças conflitantes. Para eles, dois terços da economia já estarão se recuperando no fim deste ano e a maior parte já apresentou algumas recuperações importantes aos níveis anteriores. Os economistas escrevem que o outro terço, constituído por serviços, deve ter uma recuperação desigual. Quanto à inflação, a estimativa do banco de investimentos do Bradesco é a de que o IPCA fique em 2,2% neste ano e acelere para 3,5% em 2021, número abaixo do centro da meta de 3,75%. Nesse contexto, o BBI espera que o Banco Central comece a normalizar a política monetária de maneira gradual no próximo ano. Para os economistas, o juro básico deve começar a ser elevado no segundo semestre de 2021 e encerrar o ano em 4%. Antes, a expectativa do banco era de Selic a 4,75% em dezembro do próximo ano. Já em relação à situação fiscal, Gardimam, Mauad e Keiserman apontam que o Brasil enfrenta “uma grande provação sobre como restaurar um equilíbrio fiscal mínimo em 2021 e além”. Em seu cenário, eles não adotam uma mudança ou flexibilização do teto de gastos, o que não significa que o Brasil está livre dos riscos às contas públicas. “Um déficit primário de 12% neste ano e de 3,5% no próximo ano significaria que a trajetória da dívida do país exigirá mais intervenções para se estabilizar, como reformas, corte de despesas, aumento de impostos”. Eles veem a dívida atingindo 95% do PIB neste ano e 97% em 2021. BTG Pactual O BTG manteve a expectativa de recuo de 5% do PIB este ano e crescimento de 3% no próximo. Segundo os economistas do banco, o ritmo de recuperação observado no terceiro trimestre foi uma surpresa positiva que mais do que compensou a frustração com o resultado de abril a junho, quando a economia encolheu 9,7% sobre os três meses anteriores, feitos os ajustes sazonais. O bom desempenho da atividade no segundo semestre deste ano deixará uma herança estatística favorável para 2021, apontam os economistas, mas ainda há riscos de baixa relevantes para o ano que vem, com destaque para a possibilidade de reversão no consumo das famílias devido ao fim das transferências de renda e também para a incerteza fiscal. No cenário do BTG, o déficit fiscal do setor público consolidado será de 12,5% do PIB este ano, e 2021 deve mostrar resultado menos negativo, de 2,9% do PIB. “A ancoragem da política fiscal continua um grande desafio, principalmente devido aos vários riscos do lado dos gastos”, diz o economista Gabriel Leal de Barros. “Embora desafiador, particularmente de um ponto de vista político, cumprir o teto de gastos é viável”, pondera ele. Outro componente do cenário que sofreu deterioração foi a dinâmica inflacionária de curto prazo, observa a instituição, que agora espera aumento de 2,5% para o IPCA este ano, ante 1,9% anteriormente. A previsão para 2021 foi mantida em 3%, mas tem viés de alta. O banco observa que a maioria da pressão, porém, está restrita aos preços de alimentação em casa, ao passo que itens mais relacionados à atividade continuam rodando em patamares baixos e com poucos sinais de aceleração na margem. Em relação à política monetária, o choque recente é visto como temporário pelo Copom, destaca o BTG, que espera Selic estável em 2% ao ano por um “longo período”, terminando 2021 em 3%. Para o banco, o juro básico será mantido no patamar atual enquanto o Banco Central avalia o hiato do produto, as discrepâncias setoriais e riscos de uma recuperação mais gradual quando os programas de suporte à renda terminarem. Já a taxa de câmbio deve ficar em nível mais desvalorizado, tanto neste ano quanto no próximo, avalia a instituição, em razão principalmente do risco-país mais alto, que reflete a maior possibilidade de piora das contas públicas brasileiras. A previsão para o dólar ao fim deste ano passou de R$ 5,25 para R$ 5,35. Já para 2021, foi ajustada de R$ 5,05 para R$ 5,10. iStock