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Em reunião com Bolsonaro, empresários relatam impactos da crise

Murillo Camarotto e Isadora Peron

Representantes de diversos setores levaram pleitos e ofereceram ajuda para o combate da epidemia de coronavírus no Brasil O CEO da BR Foods, Lorival Luz, disse nesta sexta-feira ao presidente Jair Bolsonaro que a empresa está operando a 100% da capacidade para garantir o abastecimento de alimentos no país durante a pandemia do coronavírus.

O executivo também pediu que a distribuição de alimentos seja considerada serviço essencial durante a crise.

Luz participou de uma reunião virtual com Bolsonaro e os ministros Luiz Henrique Mandetta, da Saúde, e Walter Braga Netto, da Casa Civil.

Outro participante do encontro, o CEO da Vivo, Christian Gebara, afirmou que o fluxo de dados tem crescido consideravelmente durante a epidemia.

O presidente Bolsonaro participou de reunião virtual com empresários para discutir crise do coronavírus - Palácio do Planalto,

Isac Nóbrega/PR

Ele ofereceu ao governo dados sobre o deslocamento das pessoas, com base nos serviços de geolocalização dos telefones celulares.

O executivo garantiu que não serão divulgadas informações pessoais ou sigilosas, mas apenas suficientes para identificar eventuais aglomerações que são contraindicadas pelo Ministério da Saúde.

O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, ressaltou a importância da manutenção da liquidez na economia.

“A economia tem períodos duros e maduros. Se eu dei crédito no período maduro, tenho que dar no período duro.”

O presidente da General Motors América do Sul ,Carlos Zarlenga, afirmou que as vendas caíram de 40% a 50% em todos os Estados desde o início da pandemia do novo coronavírus no Brasil.

“Fábricas estão parando, assim como pagamentos a fornecedores”, disse.

Ele afirmou ainda a indústria automobilística “vai precisar de muita liquidez e flexibilidade trabalhista”.

Bares e restaurantes

O CEO da Ambev, Jean Jereissati, pediu atenção especial ao governo para o setor de bares de restaurantes, que deve ser um dos mais afetados pela pandemia do coronavírus. De acordo com o executivo, a companhia está tentando ajudar o setor, que emprega cerca de 10 milhões de pessoas no país.

O secretário Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, Carlos da Costa, disse que o setor de bares e restaurantes está entre as prioridades do governo para receber apoio.

Segundo ele, linhas de capital de giro com fundo garantidor serão disponibilizadas. O setor também deve receber outras medidas específicas, que devem ser anunciadas na próxima segunda-feira.

Com uma fábrica em Wuhan, na China, onde a pandemia começou, a Ambev se ofereceu a ajudar o governo com a experiência vivida no país asiático, que já começou a reduzir os números de casos do coronavírus.