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Em recuperação, fundos lastreados em imóveis chegam a 1 milhão de investidores

JÚLIA MOURA
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ainda em recuperação da forte queda no preço das cotas em março, os fundos imobiliários (FIIs) chegaram à marca histórica de 1 milhão de investidores em agosto, um crescimento de 60% ante os 632 mil de dezembro de 2019. O salto no número de investidores pessoa física acompanha a queda da taxa básica de juros (Selic), hoje na mínima histórica de 2% ao ano. Tidos como renda fixa, apesar de não terem um retorno fixo, os FIIs caíram no gosto do pequeno investidor pelo seu portfólio de imóveis, via aluguéis ou construção e venda, investimento tradicional dos brasileiros. O rendimento desses fundos pode variar, pois depende do retorno dos imóveis, do patrimônio líquido e da captação do FII no mercado, que oscilam de acordo com fatores macroeconômicos. Em março, com o início da pandemia de Covid-19, o valor de mercado dos FIIs derreteu e o rendimento ficou negativo, pois muitos fundos de investimento se desfizeram dos papéis para fazer caixa, derrubando o valor das cotas. Além disso, no momento de incerteza, muitos FIIs suspenderam a remuneração mensal. O pequeno investidor, no entanto, não correu: aproveitou para ir às compras. "Os fundos despencaram, e pessoas viram oportunidade no preço baixo", diz Alessandro Vedrossi, sócio-diretor da Valora Investimentos. Nos últimos meses, com a reabertura de shoppings e a volta parcial para os escritórios, rendimentos voltaram a ser distribuídos, e o valor das cotas está em recuperação. O que mais impulsiona o mercado de FIIs, porém, são os fundos de logística e construção, setores em alta. A expansão do ecommerce com a pandemia aumentou a demanda por centros de distribuição e galpões logísticos. "Nesse setor, o efeito da pandemia foi nulo, pois o ecommerce e a indústria não pararam", afirma Vedrossi. Já a construção civil foi beneficiada pelo cenário de juros baixos, novas modalidades de financiamento e auxílio emergencial, o que valorizou os fundos de desenvolvimento, que investem na construção e incorporação de imóveis e lucram com sua venda. "Números das construtoras mostram que o setor está se recuperando mais rápido. Dados operacionais do segundo trimestre vieram melhor do que o esperado, e o setor parece ter superado o seu pior momento, que foi em abril", diz Juliana Pedroza, diretora de relações com investidores da Habitat Capital Partners. Ela afirma que investidores que antes preferiam fundos de lajes corporativas e shoppings agora migram para fundos de logística e de papel, que investem em títulos do setor imobiliário, como CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e LHs (Letras Hipotecárias). "O investidor está buscando fundos que, independentemente do cenário, terão um desempenho maior do que os ligados à economia real", diz Pedroza. No Brasil, há um déficit habitacional que impulsiona a construção civil e pouca infraestrutura para escoamento de produtos, o que torna a logística cara e prioritária para as empresas. O Alianza Trust, fundo de maior rentabilidade nos últimos 12 meses (41,9%) e em agosto (15,2%), mistura edifícios comerciais, galpões logísticos e centros de distribuição, dois deles alugados pela BRF. Os fundos de shoppings e hotéis, por outro lado, ainda enfrentam dificuldades. "Enquanto não tivermos volta total das atividades, não teremos bons dividendos e recuperação da cota nesses setores", diz Juliana.