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Em recuperação, barril de petróleo volta a superar 60 dólares

Benoît PELEGRIN
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A plataforma Total Culzean, no Mar do Norte, 70 quilômetros ao leste de Aberdeen, Reino Unido, em 8 de abril de 2019

O barril de petróleo Brent voltou a superar a cotação de 60 dólares nesta segunda-feira (8), pela primeira vez em quase um ano, um sinal de que o mercado aposta na recuperação e começa a ver a pandemia como algo do passado.

"Podemos considerar que o mercado mundial do petróleo voltou completamente à normalidade, ao menos no que diz respeito aos preços", afirmou Bjarne Schieldrop, um analista da Seb.

Às 5H25 GMT (2H25 de Brasília), o Brent do Mar do Norte superou por alguns minutos a barreira de 60 dólares o barril, antes de recuar e retornar à estabilidade às 7H45 (4H45 de Brasília).

O Brent, referência na Europa, estava abaixo da cifra simbólica desde 20 de fevereiro de 2020, quando a epidemia de covid-19 começou a se propagar por todo o mundo, ameaçando em particular o setor do transporte, que consome boa parte do petróleo.

Em abril, o Brent desabou a 15,98 dólares o barril, um preço que não era registrado há mais de 20 anos, enquanto seu equivalente americano, o WTI, era negociado de maneira negativa, algo inédito.

A intervenção dos membros da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) ao lado de seus aliados da chamada OPEP+ foi o que ajudou, em um primeiro momento, a recuperação dos preços.

O cartel continua cortando mais de 7 milhões de barris diários de seu volume de produção para adaptá-lo a uma demanda reduzida, provocada pelas medidas de confinamento e as restrições de tráfego, sobretudo por estrada e via aérea.

Em novembro vieram os primeiros anúncios de vacinas contra a covid-19 por parte da Pfizer e da BioNTech, seguidas rapidamente por outros laboratórios, o que acelerou a recuperação dos preços.

As campanhas de vacinação, embora ainda lentas em algumas regiões do mundo, sugerem um retorno à atividade normal e contribuíram para sustentar os preços do petróleo desde janeiro, assim como a política renovada de corte de produção da OPEP+ em sua última reunião, no mês passado.

Os agentes do mercado que acreditam no aumento dos preços também apostam que o novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que tomou posse em 20 de janeiro, conseguirá aprovar seu ambicioso plano de estímulo de 1,9 trilhão de dólares, o que deve impulsionar a demanda do país, o maior consumidor de petróleo do mundo.

Além dos Estados Unidos, as perspectivas de recuperação da demanda mundial em 2021 são otimistas, tanto da Agência Internacional de Energia (AIE) como da própria OPEP.

Em seu mais recente relatório mensal, a AIE prevê um aumento de 5,5 milhões de barris diários (mbd) em 2021, a 96,6 mbd, após uma queda de 8,8 mbd no ano passado.

Vários analistas e agentes do mercado, no entanto, consideram que os preços ainda não saíram da estagnação. Algumas empresas, como a gigante BP, abandonaram a ideia de que a demanda retornará ao nível de 2019.

bp/ved/abx/pc/zm/fp