Mercado fechará em 4 h 27 min

Em possível guerra entre EUA e Irã, quem sai ganhando é a Petrobras

Foto: REUTERS/Sergio Moraes

A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã e uma possível guerra entre os dois países pode deixar não só um impacto humanitário como também um impacto econômico no mundo todo. O cenário de conflito armado pode resultar em um aumento no preço do petróleo e, consequentemente, lucros maiores para a Petrobras.

SIGA O YAHOO FINANÇAS NO INSTAGRAM

BAIXE O APP DO YAHOO FINANÇAS (ANDROID / iOS)

A estatal brasileira, uma das 15 maiores produtoras de petróleo do mundo, pode crescer ainda mais se um conflito armado atingir o Oriente Médio, onde estão as maiores reservas do planeta. O mesmo vale para outras petrolíferas que disputam o mercado global.

Leia também

Depois que um bombardeio dos Estados Unidos em Bagdá matou um dos principais líderes militares do Irã, o general Qassem Soleimani, na semana passada, os iranianos retaliaram com bombardeios em duas bases americanas no Iraque. O risco de uma guerra coloca todo o Oriente Médio em alerta.

No centro das incertezas está o Estreito de Ormuz, uma passagem marítima na costa do Irã por onde passam 20% de todos os barris de petróleo produzidos no mundo. Crises na região, como os ataques a navios em junho de 2019, tendem a impactar todo o mercado.

O preço do petróleo chegou a subir mais de 5% logo após a retaliação do Irã na manhã desta quarta (8) com a previsão de que a oferta de petróleo no mundo fique menor se o conflito continuar escalando. Menor demanda faz com que os fornecedores, como a Petrobras, aumentem o preço.

No caso da estatal brasileira - que, sob o governo de Jair Bolsonaro tem mantido uma política de seguir as flutuações do mercado internacional -, o aumento do preço do petróleo pode prejudicar o consumidor, que verá o preço do combustível subir, mas fará a empresa ganhar muito mais dinheiro.

“Dependendo da gravidade e da duração [do conflito], o aumento de preço tende a ser maior e mais prolongado”, explica Maurício Canêdo, professor de economia da Fundação Getúlio Vargas.

Com a disparada do petróleo, outras indústrias também são afetadas, como a de aviação - quando combustíveis de aviões ficam mais caros, o transporte aéreo fica mais caro, afetando o trânsito, o frete, a importação e a exportação de diversas mercadorias dos mais diversos setores.

Agora o mercado aguarda os próximos capítulos da crise. Em pronunciamento, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou novas sanções ao Irã e sugeriu que o bombardeio das bases americanas no Iraque foram um golpe mais leve do que se imaginava, o que trouxe tranquilidade ao mercado.

Em resposta, os principais índices acionários dos EUA subiram. Às 13:45 (horário de Brasília), o Dow Jones subia 0,67%, enquanto o S&P 500 ganhava 0,39% e a Nasdaq avançava 0,38%. As bolsas europeias também fecharam o dia em alta. No Brasil, a Ibovespa subiu e o dólar caiu.

No fim do dia, o preço do petróleo retrocedeu após o aumento da manhã. O petróleo Brent recuava 2,75 dólares, ou 4,03%, a 65,52 dólares por barril, às 15:01 (horário de Brasília). No início da sessão, o contrato chegou a atingir o maior valor desde meados de setembro, a 71,75 dólares.

Petrobras já anunciou que vai evitar trânsito pelo Estreito de Ormuz “com o objetivo de evitar trechos que tragam risco à segurança de suas operações”. O presidente Jair Bolsonaro já disse que está monitorando a flutuação de preço dos combustíveis para o mercado interno e sugeriu que estados cortes a cobrança de ICMS para compensar o aumento do preço para o consumidor final.