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Em plena alta da Ômicron, Ministério da Saúde segue com apagão após ciberataque

·3 min de leitura

Quase um mês após o ataque cibernético que derrubou os sistemas do Ministério da Saúde, a chamada Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), plataforma que reúne todos os registros de dados feitos por estados e municípios no Sistema Único de Saúde (SUS) continua inacessível, prejudicando o monitoramento da pandemia da covid-19 no Brasil.

Quando o ataque virtual ocorreu, em meados de dezembro, o Ministério da Saúde não informou sobre o comprometimento do RNDS, somente afirmando em nota na época que “sofreu um incidente que comprometeu temporariamente alguns sistemas da pasta, como o e-SUS Notifica, Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização (SI-PNI), ConecteSUS e funcionalidades como a emissão do Certificado Nacional de Vacinação Covid-19 e da Carteira Nacional de Vacinação Digital, que estão indisponíveis no momento".

O fato do RNDS ainda não estar disponível faz com aplicativos como o ConecteSUS, plataforma que mostra o registro da vacinação e de exames para covid-19 da população do país, não seja atualiza desde 24 de dezembro. O mesmo ocorre com o LocalizaSUS, site do Ministério da Saúde usado para divulgação de informações da pandemia.

<em>Dados de comprovação de vacinas, exames, remédios coletados, consultas e outros continuam indisponíveis no aplicativo do Conecte SUS (Imagem: Captura de tela/Felipe Demartini/Canaltech)</em>
Dados de comprovação de vacinas, exames, remédios coletados, consultas e outros continuam indisponíveis no aplicativo do Conecte SUS (Imagem: Captura de tela/Felipe Demartini/Canaltech)

Com isso, várias pessoas em redes sociais e especialistas começaram a questionar o motivo de dados da pandemia da covid-19 e da epidemia da gripe H3N3 não estarem sendo informados de forma correta.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (SESAPI), estima-se que o Piauí, desde o ataque criminoso, já tem mais 9 mil casos de infectados pela covid-10 não contabilizados no total do país. Além disso, no Brasil inteiro, principalmente em capitais como o Rio de Janeiro, observam-se filas de pessoas em postos de saúde para serem testadas quanto a infecção com a variante Ômicron, principalmente após as festas de fim de ano.

Considerando que no mundo a maioria das infecções recentes estão sendo causadas pela Ômicron, o cenário deve ser semelhante no Brasil, mas sem o sistema RNDS disponível, não há como confirmar os dados, deixando a população do país no escuro sobre o estado real da doença e sem informações sobre a atual pressão enfrentada pelos sistemas públicos e privados de saúde.

Retorno da rede é importante para combate a covid-19

<em>Casos de covid-19 dispararam na segunda-feira puxados por Estados Unidos e Europa, e não deve ser diferente no Brasil. (Imagem: Our World In Data)</em>
Casos de covid-19 dispararam na segunda-feira puxados por Estados Unidos e Europa, e não deve ser diferente no Brasil. (Imagem: Our World In Data)

Segundo informações obtidas pelo portal GZH, dentro do Ministério da Saúde espera-se que o RNDS volte a funcionar na semana que vem ou, no máximo, no decorrer do mês de janeiro.

No retorno do sistema, todas as informações de casos de covid-19 e doses de vacina aplicadas durante o apagão serão disponibilizadas no ConecteSUS e em outros sistemas do Ministério.

Por fim, nesta quinta-feira (6) , o Ministério da Saúde emitiu uma nota confirmando que os dados lançados após o dia 10 de dezembro não constam na plataforma, mas que gestores locais podem continuar realizando o registro, já que no retorno do RNDS as informações aparecerão para os usuários. Confira o comunicado na íntegra:

O Ministério da Saúde informa que as plataformas e-SUS Notifica, SI-PNI e Conecte SUS foram restabelecidas há duas semanas, possibilitando a inclusão de dados por estados e municípios. Os dados lançados após o dia 10 de dezembro ainda não constam nas plataformas. Entretanto, todas as informações podem ser registradas pelos gestores locais e, assim que a integração de dados for restabelecida, os registros poderão ser acessados pelos usuários.

Fonte: Canaltech

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