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Em NY, Nasdaq fecha pior sessão já registrada e VIX supera máxima de 2008

André Mizutani

Dow Jones recuou 12,93%, o S&P 500 caiu 11,98% e o Nasdaq desvalorizou 12,32%; o "termômetro do medo" fechou a 82,69 pontos, superando a máxima da crise de 2008 O pânico pareceu tomar novamente conta dos mercados acionários de Nova York, levando o Nasdaq a anotar a sua pior sessão já registrada, apesar de um novo corte de juros emergencial do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), que levou a taxa básica de juros do país a zero.

Após ajustes, o Nasdaq fechou em queda de 12,32%, a 6.904,59 pontos, anotando a sua pior queda percentual já registrada, de acordo com a Dow Jones Newswires. O Dow Jones recuou 12,93%, a 20.188,52 pontos, enquanto o S&P 500 caiu 11,98%, a 2.386,13 pontos, acumulando perdas de quase exatamente mil pontos, ou 29,53% desde o recorde histórico anotado em 19 de fevereiro.

"É com isso que o pânico se parece", disse Patrick Healey, presidente e fundador da Caliber Financial Partners, à Dow Jones Newswires. "Não importa o que o Fed fez no fim de semana ou o que ele poderia ter feito, a atividade nos mercados reflete o medo e as incertezas".

O índice de volatilidade VIX, também conhecido como o "termômetro do medo" de Wall Street, subiu ainda mais hoje, fechando a sessão em 82,69 pontos e superando a máxima de 80,86 pontos anotada durante a crise financeira de 2008.

Os índices em Nova York operaram em forte queda durante toda a sessão, depois de acionarem mais uma vez o "circuit breaker" logo na abertura, com o S&P 500 em queda de 8,14%, mas ampliaram as perdas no fim da sessão, depois que o presidente americano, Donald Trump, disse que a pandemia do coronavírus pode ainda se estender por meses e levar a economia do país a uma recessão.

Mesmo a intervenção do Fed no fim de semana não ajudou a acalmar os mercados. O BC americano derrubou os juros em 1 ponto percentual no domingo (15), colocando a sua meta de juros na faixa entre zero e 0,25%. Além de derrubar os juros, o Fed lançou um pacote de medidas de estímulos que inclui a compra de US$ 700 bilhões em títulos do Tesouro americano (Treasuries) e títulos lastreados em hipotecas.

Mas as medidas — que seguem na esteira de um corte emergencial separado de 0,5 ponto percentual — foram recebidas negativamente pelos investidores, que as viram como um sinal de desespero. "Isso é basicamente usar toda a munição que eles têm em um período de três semanas. E não há mais nada. Eles não podem mais usar um afrouxamento monetário como parte do seu arsenal", disse Terence Wong, executivo chefe da Azure Capital.

"Achamos que o pânico tivesse atingido seu pico na quinta-feira, quando a maior parte do país começou a fechar, mas isso foi eclipsado [ontem à noite] pelo Federal Reserve", escreveu Mike O'Rourke, estrategista-chefe de mercado da corretora JonesTrading. "Todos nós acabamos de testemunhar um banco central gastando todas as suas ferramentas convencionais e não convencionais para apoiar um mercado de ações que, há menos de um mês, estava nas máximas históricas."