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Em meio à pandemia, Bolsonaro troca ministro da Saúde pela quarta vez

Ana Paula Ramos
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Brazil's president Jair Bolsonaro, next to Brazil's Health Minister Eduardo Pazuello, arrives for the launching ceremony of the National Vaccination Operationalization Plan against COVID-19 at Planalto Palace in Brasilia, Brazil, on Wednesday, Dec. 16, 2020. (Photo by Andre Borges/NurPhoto via Getty Images)
Presidente Jair Bolsonaro demite general Eduardo Pazuello, ministro da Saúde (Photo by Andre Borges/NurPhoto via Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro escolheu, nesta segunda-feira (15), o médico cardiologista Marcelo Queiroga para ser o novo ministro da Saúde. A nomeação ainda não foi publicada no Diário Oficial da União.

Queiroga será o quarto ministro no meio da pandemia da covid-19 que já matou quase 280 mil brasileiros.

A troca na pasta acontece no momento em que Bolsonaro é pressionado por conta da má gestão durante a crise do coronavírus. Mais cedo, o atual ministro, general Eduardo Pazuello, admitiu a saída do cargo.

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"Não pedi pra sair, estamos focados na missão. Quando o presidente tomar sua decisão, faremos uma transição correta, como manda o figurino", disse Pazuello hoje em entrevista coletiva. "Não estou doente", alegou, mas admitiu que está no cargo só enquanto Bolsonaro não escolhe seu substituto.

Inicialmente, a cardiologista Ludhmilla Abrahão Haijar foi cotada para o cargo. Ela era o nome preferido do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). No entanto, a médica não aceitou substituir Pazuello. Ludhmilla é a favor do isolamento e da imunização em massa e contra o chamado tratamento precoce, apoiado por Bolsonaro.

EX-MINISTROS

Depois de um processo de fritura, com troca de alfinetadas públicas, Luiz Henrique Mandetta foi demitido em abril de 2019, no início da crise causada pela pandemia da covid-19.

O então ministro da Saúde não aceitou recomendar hidroxicloroquina no tratamento da doença e destacava a não comprovação da eficácia do medicamento, além de defender medidas de isolamento social.

Escolhido como substituto, Nelson Teich também se recusou a indicar a cloroquina. Assim como Mandetta, Teich é médico e declarava que o medicamento tem efeitos colaterais e deve ser usado com cuidados.

O ex-ministro ainda tentou adotar em sua gestão medidas de combate ao coronavírus, como diretrizes para restrições de circulação de pessoas.

Isolado no governo, ele pediu exoneração com menos de um mês no cargo e foi substituído pelo seu secretário-executivo, general Eduardo Pazuello.

Sob o lema de que “um manda, o outro obedece”, em relação a Bolsonaro, o militar acatou as ordens do Planalto e recomendou “tratamento precoce” sem comprovação científica, não apoiou medidas de distanciamento social, atrasou a vacinação no país e foi omisso no colapso do sistema de saúde, principalmente em Manaus, onde pacientes morreram asfixiados pela falta de oxigênio medicinal.

A Procuradoria-Geral da República abriu uma investigação para apurar a negligência do Ministério da Saúde sob o comando de Pazuello. No Congresso, senadores pressionam para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

Diante desse cenário, a permanência do general à frente da pasta se tornou insustentável. Agora com a adoção de um discurso pró-vacina, o Palácio do Planalto também avalia que a demissão de Pazuello pode estancar a perda de popularidade de Bolsonaro.