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Em meio à eleição tensa, Petrobras emerge como queridinha do mercado

Por Gram Slattery e Paula Arend Laier

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A Petrobras experimentou dias turbulentos em grande parte de 2022, trocando quatro vezes de comando, enquanto o presidente Jair Bolsonaro pressionava a empresa para reduzir preços dos combustíveis.

Diante disso e do possível retorno de um governo de esquerda nas eleições do próximo mês, alguns investidores se mostraram ressabiados em relação às ações da companhia. Mas de sete gestores de fundos locais que conversaram com a Reuters nas últimas semanas, cinco disseram que mantêm ou estão aumentando suas posições a poucos dias da eleição presidencial. Esse otimismo cauteloso mostra como muitos investidores estão se reconciliando com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que lidera pesquisas de intenção de voto, mesmo em se tratando de empresas estatais cujos resultados sofreram nas gestões petistas, marcadas pela Operação Lava Jato.

Isso, em parte, decorre da aposta de que é improvável que Lula repita os excessos políticos de seu mandato de 2003-2010 e do mandato da sua sucessora Dilma Rousseff em 2011-2016, quando a Petrobras se tornou sinônimo de má gestão e corrupção.

Mas também reflete a frustração de alguns investidores com o governo de direita de Bolsonaro, que assumiu em 2019 prometendo políticas ortodoxas e uma possível privatização – mas acabou adotando uma estratégia de pressão na gestão da empresa e sobre sua política de preços de combustíveis.

Essas ações pesaram nos preços das ações da empresa desde que ele assumiu o cargo e, como resultado, alguns investidores veem pouca diferença com a abordagem mais abertamente intervencionista de Lula.

"Não houve uma discussão séria sobre a privatização da Petrobras. Lula vai pressionar os preços dos combustíveis, mas Bolsonaro fez o mesmo", disse James Gulbrandsen, diretor de investimentos para a América Latina da NCH Capital no Rio de Janeiro. "Qual é a diferença? Eu não vejo um grande problema."

Apesar do fluxo caótico de notícias deste ano, as ações da Petrobras mostram forte valorização até o momento, com suas ações preferenciais valorizando-se 63% no ano na bolsa paulista e superando o desempenho das principais petrolíferas globais, assim como o Ibovespa, que avançou cerca de 7%.

E vários investidores avaliam que a ação ainda tem espaço para se valorizar ainda mais.

"As ações da Petrobras estão muito baratas", disse o sócio de uma asset em São Paulo, com cerca de 20 bilhões de reais em ativos sob gestão. "É razoável esperar algumas alterações (se Lula vencer). Mas não se espera um retrocesso para o que foi o governo anterior do PT. E mesmo esse retrocesso já está mais do que precificado na cotação das ações."

EM MODO ESPERA

Sob os governos de Lula e Dilma, a Petrobras subsidiou fortemente os preços dos combustíveis na bomba, incorrendo bilhões de dólares em perdas devido a políticas que o ex-presidente petista deu a entender que pode retomar.

Embora Bolsonaro tenha demitido repetidamente presidentes da Petrobras quando os preços dos combustíveis aumentaram, a empresa operou, pelo menos formalmente, sob uma política de preços técnica durante seu mandato, na qual a Petrobras segue o movimento global para definir seus preços no mercado doméstico.

"O 'valuation' atrativo endossa alguma posição na ação independentemente de quem sair vitorioso da eleição presidencial. Ainda assim, esse valuation não justifica aumentar a posição dado o risco atrelado à eleição, que é "altíssimo"", disse outro gestor.

"Um dos fatores de preocupação são as sinalizações de Lula, como a de que irá mudar a política de preços da companhia."

Em um relatório a clientes em junho, os analistas do Bradesco BBI Vincente Falanga e Gustavo Sadka sustentaram que os riscos relacionados à Petrobras ainda tinham um viés de alta.

Mas em um novo relatório nesta semana, os mesmos analistas incluíram entre os seus cenários um considerado por eles ainda mais pessimista, no qual acreditam que uma Petrobras sob Lula pode embarcar em aquisições caras de ex-estatais como a Eletrobras e a distribuidora de combustível Vibra Energia.

Esse cenário, segundo os analistas, seria prejudicial para os acionistas da Petrobras.