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Em Israel, Ernesto Araújo defende parceria no desenvolvimento de 'vacinas e remédios' contra Covid-19

Daniel Gullino
·3 minuto de leitura

BRASÍLIA — No primeiro dia da viagem à Israel da comitiva brasileira que partiu em buscas de parcerias no combate à Covid-19, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo reuniu-se na manhã deste domingo com seu homólogo israelense, Gabi Ashkenazi. Após o encontro, Ernesto defendeu parcerias no desenvolvimento de "vacinas e remédios". Ashkenazi prometeu que Israel "fará todo o possível" para ajudar o Brasil. Ainda não foi feito, no entanto, nenhum anúncio concreto.

Israel é líder mundial na aplicação de vacinas contra a Covid-19, em termos proporcionais. Mais da metade da população já recebeu ao menos uma dose do imunizante. O país utiliza a vacina da Pfizer e não tem produção local do imunizante.

Durante as últimas semanas, o presidente Jair Bolsonaro repetiu diversas vezes que a viagem da comitiva brasileira a Israel seria para formalizar um acordo para testar no Brasil um spray nasal que tem tido seu uso contra o novo coronavírus estudado no país. Entretanto, em vídeo publicado no sábado, antes do embarque da delegação, Bolsonaro mudou o tom e disse que a viagem buscaria acordos "na área de ciência e tecnologia", sem mencionar especificamente o remédio.

Na declaração deste domingo, Ernesto Araújo reconheceu a liderança de Israel na vacinação e citou "iniciativas interessantes" do Brasil, sem especificar quais, em pesquisas sobre a pandemia.

— Israel está dando um exemplo. Assim como em tantas outras áreas, esse país maravilhoso de vocês está liderando a vacinação, liderando o combate contra a pandemia, Nós também temos iniciativas interessantes no Brasil, em relação a pesquisas de novas maneiras de combater a pandemia, e queremos compartilhá-las, queremos ser parceiros no desenvolvimento de vacinas, de remédios, que possam tanto combater quanto prevenir a Covid-19.

Gabi Ashkenazi, por sua vez, disse que acompanha a situação da pandemia no Brasil — em uma referência ao recorde de mortes pela doença —e expressou a "simpatia" do povo israelense.

— A pandemia da Covid-19 é um desafio em comum que estamos enfrentando tanto no Brasil, em Israel e no mundo todo. Acompanhamos nos últimos dias a situação no Brasil e, em nome do povo de Israel, gostaria de expressar minha simpatia aos brasileiros e temos certeza que vocês vão superar. Posso prometer que Israel fará todo o possível para apoiar seus esforços para superar a Covid. Estamos prontos para auxiliar de qualquer maneira que possamos — declarou.

O chanceler afirmou que os dois países, juntos, vão desenvolver pesquisas de remédios "ou outras soluções" contra o coronavírus:

— Nós vamos explorar oportunidades de investimentos conjuntos em pesquisas para desenvolver drogas ou outras soluções contra o vírus, juntos, Brasil e Israel.

A delegação brasileira é formada, além de Ernesto, Filipe Martins (assessor da Presidênca), Hélio Angotti Neto (secretário de Secretaria de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde), Marcelo Marcos Morales (Secretário de Politicas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia), pelos deputado federais Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e Hélio Lopes (PSL-RJ) e por Fábio Wajngarten (secretário especial de Comunicação Social), entre outros.

Em foto publicada pelo Itamaraty após o desembarque em Israel, todos os integrantes da delegação brasileira usam máscaras. No embarque, contudo, nenhum deles usava.