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Em dez anos, mais de 5 mil idosos morreram por desnutrição no Rio, indicam dados do SUS

Nos últimos dez anos, mais de 5 mil idosos morreram por desnutrição no estado do Rio. A estatística foi coletada pelo GLOBO da plataforma DataSUS e diz respeito ao período de janeiro de 2012 a abril de 2022, sendo que os números mais recentes ainda podem variar. Mesmo que subdimensionados, os dados mostram que pessoas com 60 anos ou mais são a parcela da população que mais sofre com a falta de comida.

De acordo com especialistas, o problema está menos ligado a doenças crônicas e mais ao abandono social. Segundo eles, passar fome para quem está nesta fase da vida pode ser uma sentença de morte.

— Embora a gente não tenha dados específicos sobre a insegurança alimentar na população idosa, nós sabemos que a fome tem um impacto muito rápido sobre essas pessoas. Antecipa a morte. Passar fome para a população idosa que já está passando por uma perda biológica, uma perda de oportunidades, uma perda social, pela solidão e pelo abandono pode ser mais grave do que qualquer doença — explica Dália Romero, chefe do Laboratório de Informação em Saúde (LIS) do Instituto de Comunicação e Informação Científica em Saúde (Icict/Fiocruz).

A pesquisadora da Fiocruz, que é mestre em Demografia e doutora em Saúde Pública, afirma que uma doença que pode ser leve para uma pessoa idosa que se alimenta bem é "tremendamente fatal" para um idoso que passa fome. Segundo Dália, as próprias fotografias mostram o envelhecimento da população que vive nas ruas, onde a fome é praticamente uma unanimidade. Esse envelhecimento, segundo ela, se explica pela própria exclusão social do idoso, que enfrenta problemas graves como o desemprego e a perda de renda.

Dália Romero diz ainda que o cenário piorou nos últimos anos e que dados pesquisados pelo Icict/Fiocruz mostram claramente uma queda na qualidade de vida dessa parcela da população, principalmente quando se trata dos idosos mais pobres. De acordo com a pesquisadora, desde 2019, antes da pandemia, a Fiocruz já alertava sobre o retrocesso em relação à segurança social, alimentar e de saúde da população idosa no Brasil.

— Envelhecer no Brasil é muito perigoso e pode ser deprimente. Às vezes, a fome não é consequência apenas da falta de recursos econômicos e sim de um abandono social, da ausência do estado. O enfraquecimento da estratégia de saúde da família, da busca ativa dentro das residências, leva a um aumento de idosos passando fome mesmo na classe média. Esse abandono vai contra o Estatuto do Idosos e fere a Constituição Federal — enfatizou a pesquisadora.

A situação, segundo Dália, ainda pode piorar nos próximos anos com as perdas dos direitos sociais do idoso. A pesquisadora reforçou a importância do Benefício de Prestação Continuada (BPC), por exemplo, que é a garantia de um salário mínimo por mês ao idoso, na melhoria da qualidade de vida dessa população, reduzindo a miséria e a fome.

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